Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: O cobertor do governo é curto, mas precisa aquecer

Marcelo de Moraes

Exclusivo para assinantes

Com Jair Bolsonaro tentando pavimentar o caminho político para a própria reeleição, o governo vai intensificar o lançamento de programas e medidas de cunho popular. Alguns podem funcionar, mas boa parte será apenas espuma de marketing ou, o que é pior, ideias equivocadas. Mas o movimento deixa óbvio o que quer o presidente: o aumento de sua popularidade.

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia Paulo Guedes Foto: Dida Sampaio/Estadão

Isso talvez explique por que as trombadas se tornaram mais frequentes entre Bolsonaro e alguns de seus principais auxiliares, como o ministro da Economia, Paulo Guedes. A proposta de substituir o Bolsa Família pelo novo Renda Brasil pressupõe, para Bolsonaro, que ele tenha maior alcance do que a versão criada pelo governo petista. E pressupõe também que não seja necessário acabar com programas já existentes, como o Farmácia Popular, para canibalizar seus recursos e forrar o estofo do Renda Brasil.

Para aumentar o valor do Renda Brasil, como quer Bolsonaro, Guedes agora sinaliza em acabar com deduções do Imposto de Renda. O presidente não é fã da sugestão, mesmo com os estudos apontando que essas deduções sejam bastante utilizadas pelas camadas mais ricas da população. A questão é que o presidente sabe que essas deduções também são usadas frequentemente pela classe média, faixa na qual ele tem perdido apoio.

A visão de Guedes de tentar encontrar fontes de recursos para bancar os novos programas é lógica. Ainda mais num período de enormes dificuldades econômicas. Mas quando o interesse político fala mais alto, o risco da gastança prevalecer cresce intensamente. Na prática, o governo já percebeu que vai ser difícil fechar essa conta. Mas, até segunda ordem, mesmo com o cobertor sendo curto demais, ele vai ter que servir para esquentar.