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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: O fantasma da previsão do FMI

Marcelo de Moraes

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Com o efeito devastador do coronavírus sobre a atividade econômica, o governo se conformou com o fato de que o PIB de 2020 será péssimo. Mas, mesmo assim, integrantes da equipe econômica seguem bancando a aposta de que o desastre será menor do que se prevê. Tanto que o Banco Central divulgou sua estimativa de queda em 6,4%, número abaixo do que o mercado tem falado.

O minsitro da Economia, Paulo Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Por isso, a previsão feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) de que o PIB brasileiro cairá 9,1% soou como uma calamidade dentro do governo. A reação dos principais integrantes da equipe econômica foi de rebater a previsão e carimbá-la como pessimista demais. Mas o fantasma de que essa previsão esteja correta passou a assombrar os corredores do governo.

“A gente aprende em teoria economia que há momentos em que há rupturas em todos os parâmetros. Quando há um choque como esse, eu não acredito nas previsões que são feitas. Ninguém sabe a resposta. As pessoas começaram a chutar menos um, menos quatro, menos dez. A previsão do FMI é menos nove, e eu acho que vão errar”, afirmou o ministro da Economia, Paulo Guedes, durante transmissão ao vivo feita na quinta-feira, 25, ao lado do presidente Jair Bolsonaro.

Não custa lembrar que, no dia 13 de março, com a pandemia já mostrando sua força pelo mundo, Guedes disse em entrevista que “com 3 bilhões, 4 bilhões ou 5 bilhões de reais a gente aniquila o coronavírus. Porque já existe bastante verba na Saúde, o que precisaríamos seria de um extra”. Hoje, três meses depois, o governo já injetou cerca de R$ 152 bilhões só com o pagamento do auxílio emergencial. E, como os dados indicam, o coronavírus segue longe de ser aniquilado.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, também classificou a projeção do FMI como “bastante pessimista”. Na direção oposta, ele não descarta que o resultado do PIB seja até menos ruim do que a queda de 6,4% apontada pelo BC. E atribui isso, inclusive, a um possível aquecimento do consumo por conta do pagamento do auxílio emergencial.

O problema é que se a estimativa do FMI acabar se cumprindo, o governo Bolsonaro terá completado sua primeira metade com a economia em frangalhos por causa dos efeitos do coronavírus. Como o PIB do primeiro ano já tinha sido decepcionante (alta de 1,1%), o comprometimento mais agudo da economia em 2020 aponta para um cenário de imensas dificuldades pelos anos seguintes.