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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Para evitar frigideira, Faria tenta explicar passado de apoio ao PT

Marcelo de Moraes

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Nomeado ministro das Comunicações, o deputado federal Fábio Faria (PSD-RN) tem um passado público de apoio e alianças políticas com o PT no seu Estado. As manifestações de apoio a Lula e Dilma Rousseff, em eleições passadas, foram desenterradas na internet, pouco depois de sua escolha e criaram desconforto entre os bolsonaristas.

Deputado Fábio Faria, nomeado para assumir Ministério das Comunicações. Foto: Luís Macedo/ Câmara dos Deputados

Ao perceber que alguns já começavam a ligar a frigideira para fritá-lo, o ministro resolveu tentar explicar que votou no PT sim. Mas mudou de lado na campanha de Jair Bolsonaro.

“Aos brasileiros: como 57 milhões de eleitores, votei no presidente Bolsonaro por estar insatisfeito com partidos que polarizaram e comandaram o país até 2018. Já votei no PT no passado, sim, mas em 2016, fui a favor do impeachment de Dilma e sou o maior adversário do governo do PT no Rio Grande do Norte”, escreveu nas redes sociais.

Já sabendo o terreno sensível em que o bolsonarismo transita, Faria fez sua declaração de amor à sabedoria produzida graças à internet, que o permitiu mudar de lado.

“Demorei, mas entendi a ameaça que um estado aparelhado representa para a sociedade. Devo essa evolução à Internet, que ampliou o universo político, antes dominado e limitado a duas esferas não necessariamente antagônicas. Continuo aprendendo com o que vejo aqui”.

Nomeado dentro do movimento de aliança entre Bolsonaro e o Centrão, em troca de apoio político do grupo para o presidente no Congresso, Faria afirma estar alinhado com as mesmas pautas defendidas pelo governo.

“Minha atuação prova que estou comprometido com as pautas do presidente Bolsonaro. Votei a favor da PEC do Teto, Reforma Trabalhista, Nova Previdência. Defendo a liberdade econômica, de imprensa e de expressão, a desburocratização e o reforço na segurança pública”, disse.

Para os bolsonaristas mais radicais, entretanto, a resposta pode não ter sido suficiente. Rapidamente, sua postagem foi inundada com perguntas sobre suas posições em relações a porte e posse de armas, sobre aborto, China e outros temas considerados centrais para o grupo. Faria não respondeu. E se declarou um defensor do estado liberal.

“A verdadeira democracia é conviver com as diferenças e aceitar a opinião de milhões de brasileiros que, como eu, querem ver as propostas de campanha de Bolsonaro implementadas. Quero um estado liberal”, disse. Mas mesmo essa resposta foi rebatida por alguns apoiadores do presidente, que reclamaram que deveria ter dito que defende um “estado conservador” e não liberal.

“Agradeço a confiança do presidente Jair Bolsonaro por comandar uma pasta tão importante e que precisa estar na vanguarda dos próximos anos. Trabalharei para modernizar e unificar nossa comunicação dentro e fora do país, integrando-a às exigências que os novos tempos demandam”, acrescentou. Bastaram 24 horas como ministro para Faria já começar a sentir o calorzinho da frigideira bolsonarista.