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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Paulo Guedes 2.0 se aproxima da política

Marcelo de Moraes

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Pelas redes sociais, o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros fez nesta quarta-feira, 2, uma atenta observação sobre a mudança de atitude que a equipe econômica terá de adotar se quiser ver as reformas avançarem. “Agora que acabou o sonho de um Big Bang Liberal no Brasil, a equipe econômica vai ter que voltar a gerenciar as reformas com realismo politico e, principalmente, com uma agenda inteligente que considere como funciona a classe politica no Brasil”, disse. E alertou: “É uma situação mais difícil que nos anos FHC, pois hoje temos novamente os militares dando palpites na questão econômica. Vamos ter fé!!”, escreveu.

O ministro Paulo Guedes ao lado presidente Jair Bolsonaro em entrevista coletiva nesta terça-feira. Foto: Marcos Corrêa/PR

Essa mudança de atitude já começou a ser observada nos últimos movimentos do ministro da Economia, Paulo Guedes. O auxiliar parece ter entendido que não vai adiantar tentar emplacar suas ideias se elas não tiverem respaldo político no Congresso.

Na prática, esse processo surge justamente na esteira da mudança de comportamento de Jair Bolsonaro, que deixou de lado a balbúrdia da amalucada ala ideológica e preferiu abraçar o presidencialismo de coalizão velho de guerra, que sempre renegou na campanha (com toda a razão), por ser movido ao tenebroso toma lá, dá cá. Mas, fragilizado politicamente, Bolsonaro decidiu buscar o apoio do Centrão. Em troca, o presidente ganhou estabilidade política, se blindou contra o impeachment e ainda tenta pavimentar o caminho para a reeleição.

Nesse movimento, era natural que as propostas econômicas acabassem tendo de adaptar a essa nova situação. O Guedes 2.0 começa a lidar com a negociação dos projetos pelo ponto de vista político. Afinal, não adianta defender a criação de um novo imposto se o Congresso rejeitá-lo completamente. Não adianta falar de reformas, se os líderes partidários  forem contrários às ideias. A construção política permitiu, por exemplo, que ontem se aprovasse a Lei do Gás, que interessa ao governo. E pode abrir passagem para a votação das reformas.