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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Politicamente, governo lucra com aumento de mínimo

Marcelo de Moraes

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O governo passou todo o ano de 2019 precisando adotar o discurso da adoção do remédio amargo de medidas necessárias, como a reforma da Previdência; de enxugar a máquina administrativa para conseguir eficiência; do corte de gastos para conter o ralo sem fundo das despesas. Obviamente, as medidas eram necessárias – e muitas outras ainda faltam – para garantir a racionalização do uso dos recursos públicos. Mas apertar o cinto demais trouxe também um natural desgaste político para o governo. Dentro do Planalto, houve a conclusão que é hora de ganhar algum fôlego e ceder em alguma coisa.

O reajuste maior do salário mínimo e a reformulação do Bolsa Família entram nesse pacote pelo impacto positivo que podem provocar entre as pessoas de menor poder aquisitivo. Apesar da conta bilionária que esses ajustes provocarão, politicamente, ajudam o presidente Jair Bolsonaro a reforçar seu discurso social. Num ano eleitoral em que tenta oficializar a existência do seu novo partido, o Aliança Pelo Brasil, e no qual busca eleger o maior número de aliados possíveis, o presidente percebeu que precisa mostrar também medidas concretas para reduzir a pobreza no País. A liberação do saque do FGTS no ano passado teve esse papel, mas seu efeito já passou. Agora, garantir um pouco mais de recursos para o salário mínimo e para o Bolsa Família deverão provocar malabarismos na equipe econômica para buscar fontes de receitas para bancar essas despesas. Só o mínimo vai custar R$ 2,3 bilhões. Mas, em termos políticos, o presidente ganha um reforço importante no seu discurso.

 

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