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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Políticos também precisam fazer política

Marcelo de Moraes

Há uma lição importante para ser tirada do processo interno do PSDB que barrou o pedido de expulsão do deputado Aécio Neves do partido. Mesmo com sua imagem desgastada por conta das acusações de envolvimento com irregularidades no escândalo da JBS/Joesley Batista, o ex-presidenciável tucano articulou muito bem politicamente dentro do partido para evitar sua condenação e impôs uma derrota ao governador de São Paulo, João Doria, que defendia seu afastamento. Apesar de parecer uma disputa desigual, afinal Doria é o principal nome do partido para concorrer ao Planalto em 2022 e Aécio, depois das acusações, teve dificuldades até para conseguir garantir uma cadeira na Câmara dos Deputados, o mineiro sobreviveu porque fez política, algo que domina muito bem. Independentemente do mérito da discussão que o colocou como alvo, Aécio operou em silêncio no PSDB, garantiu o apoio que precisava e mostrou que fazer política ainda produz vitórias. Obviamente, contou também com a ajuda de tucanos que queriam aproveitar o seu caso para enviar um recado a Doria sobre a necessidade de ouvir mais todos os setores do partido, se realmente quiser concorrer ao Planalto.

A mesma lógica vale para Jair Bolsonaro. Nos quase oito meses em que comanda o Brasil, o presidente preferiu atuar mais nas redes sociais do que na articulação política com o Congresso. A consequência disso tem sido uma dificuldade imensa para aprovar as propostas do interesse do governo. Na prática, projetos fundamentais, como a reforma da Previdência e a MP da Liberdade Econômica, só têm avançado muito mais pelo empenho dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, do que pela ação do Planalto. Em tempos de satanização da política, agir nessa direção pode custar o aplauso fácil nas redes sociais e render acusações de adesão à tal da “velha política”. Mas pode garantir, também, resultados muito expressivos na vida real.

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