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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Pressionado, Bolsonaro busca fôlego com trégua política

Marcelo de Moraes

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Na reunião promovida nesta quinta-feira, 21, por Jair Bolsonaro com os governadores e com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o tom usado foi o da busca de união e de pacificação. A receita é a ideal para que o Brasil consiga atravessar a tormenta do coronavírus. Mas é importante notar que não faltaram referências nos discursos feitos a termos como “guerra” e “bandeira branca”, por exemplo. Não foi à toa.

Reunião do presidente Jair Bolsonaro com os 27 governadores

Reunião do presidente Jair Bolsonaro com os 27 governadores Foto: Reprodução/TV BrasilGov

O clima de beligerância alimentado pelo presidente e por seus seguidores contra Congresso, Judiciário e governadores, entre outros, produziu uma crise política que deixou o Brasil vulnerável e exposto na luta para conter os efeitos do coronavírus. Por isso, os presentes ao encontro com o presidente fizeram questão de lembrar da importância que essa paz seja estabelecida para valer e os gestos sejam os mesmo diante e distante das câmeras.

“Chegou a hora de todos darmos as mãos, de levantarmos uma bandeira branca. Estamos vivendo um momento de guerra e na guerra todos perdem”, disse Alcolumbre.

“Foco é proteger brasileiros. Ninguém ganha numa guerra e quem perde são os mais pobres”, reforçou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

É sintomático que o agravamento da crise, a sombra de investigações e a queda nas pesquisas de opinião pública resultem num movimento de tentativa de reaproximação política da parte de Bolsonaro com os grupos a quem tanto criticou nos últimos tempos. O presidente nunca esteve tão pressionado e desgastado como acontece neste momento.

E os grupos que foram alvos constantes dos seus ataques não esqueceram como foram tratados. Tanto que o recado foi dado ao presidente nas falas de Alcolumbre e Doria. Mas Estados e municípios precisam como nunca do socorro federal e aceitaram uma tentativa de retomada do diálogo. Só que o fim para valer da guerra política vai depender dos próximos gestos do presidente. O problema é que seu histórico deixa pouca margem de confiança de que uma pacificação de verdade possa acontecer. E existe a desconfiança de que o presidente esteja tentando apenas recuperar o fôlego.