Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Prisão de Crivella é novo baque político para Bolsonaro

Marcelo de Moraes

O combate à corrupção foi um dos principais eixos do discurso que fortaleceu a crescimento da direita mais conservadora na política brasileira. Foi por meio dele que se iniciou a construção de um contraponto do grupo ao petismo, afetado pelos escândalos do mensalão e do petrolão, e se abriu o caminho para vitórias nas eleições municipais de 2016 e, sobretudo, em 2018, com a eleição de Jair Bolsonaro e de vários governadores alinhados ao seu grupo.

Marcelo Crivella e Jair Bolsonaro. Foto: Marcos Corrêa/PR

Por isso, a prisão hoje do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), justamente por suspeita de envolvimento com corrupção, representa mais um revés político para o presidente. Aliado do prefeito, Bolsonaro pediu votos para tentar reeleger Crivella no Rio. Desgastado pela péssima administração e por várias acusações de envolvimento em irregularidades, o prefeito mal conseguiu chegar ao segundo turno. Acabou derrotado facilmente pelo discurso moderado de Eduardo Paes (DEM), que venceu por grande margem de diferença. E, claro, a derrota foi também para a conta do aliado Bolsonaro.

A prisão do prefeito desgasta também outros integrantes do clã Bolsonaro. Como fracassou a tentativa de fundar o Aliança pelo Brasil, o senador Flávio Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro, filhos do presidente, acabaram se filiando ao Republicanos, partido liderado politicamente por Crivella no Rio.

A vitória de Crivella em 2016 representa uma espécie de marco na guinada da política estadual rumo à direita. Depois de sofrer várias derrotas na tentativa de se eleger prefeito, neste ano, soube surfar na onda antipetista e derrotou Marcelo Freixo (PSOL) no segundo turno.

Dois anos depois, seguindo nessa tendência política, Wilson Witzel (PSC) se elegeu governador na leva de políticos de direita desconhecidos que foram puxados pela força nacional do bolsonarismo. Ex-juiz, carregou no discurso do combate à corrupção e nas promessas de linha dura nas ações de segurança pública. “O correto é matar o bandido que está de fuzil. A polícia vai fazer o correto: vai mirar na cabecinha e… fogo!”, chegou a afirmar. Antes de Crivella, Witzel já tinha caído em desgraça política, sendo afastado do governo, também por acusações de corrupção.

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