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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: PT tenta pegar de volta bandeira da renda básica

Marcelo de Moraes

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Com Jair Bolsonaro começando a faturar politicamente os efeitos do pagamento do auxílio emergencial, o PT deflagrou uma ação para tentar resgatar uma de suas bandeiras mais clássicas: o pagamento de renda básica para os mais pobres. Desde que existe, o PT defendeu e apoiou programas de complementação de renda para essas camadas da população e implementou com sucesso o Bolsa Família.

Recepção e fachada da Liderança do PT na Câmara dos Deputados, em Brasília. Foto: Dida Sampaio / Estadão

Recepção e fachada da Liderança do PT na Câmara dos Deputados, em Brasília. Foto: Dida Sampaio / Estadão

Agora, o partido vê Bolsonaro cada vez envolvido com a prorrogação do auxílio emergencial e com a criação do Renda Brasil, elaborado justamente para substituir o Bolsa Família e criar uma marca forte para o atual governo na área social.

A reação do PT veio com uma campanha forte de defesa da prorrogação do auxílio emergencial de R$ 600 pelo restante do ano. O governo só se comprometeu com os meses de julho e agosto por avaliar que não tem dinheiro para esticar o pagamento do benefício. Com essa ação, o PT tenta retomar a defesa da ajuda financeira para as pessoas mais pobres e busca carimbar Bolsonaro e seu governo como preferindo dar o dinheiro grosso para os bancos. A campanha do PT é reforçada por parlamentares de outros partidos de esquerda.

Com uma equipe econômica liberal, não estava no radar do governo dar uma guinada tão radical quanto essa. Mas, por causa da pandemia do coronavírus, Bolsonaro se viu obrigado a autorizar o pagamento de ajuda financeira para as pessoas mais pobres afetadas diretamente com a quebradeira da economia. Só que a ação se reverteu em um inesperado aumento da aprovação do governo entre as faixas mais pobres. Sentindo a oportunidade num momento em que seu governo enfrenta crise política e aumento de rejeição, o presidente passou a turbinar o apoio a esse socorro social.