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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Queda de Cintra mostra poder de desgaste da discussão da CPMF

Marcelo de Moraes

A demissão do secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, pode servir como uma freada de arrumação na atabalhoada discussão de recriar a CPMF. Cintra era o principal defensor da proposta dentro do governo e tratava do assunto como se sua aprovação fosse fava contada dentro do Congresso. Não era, nunca foi e, talvez, nunca seja. Como você leu em nossa newsletter de ontem, a proposta enfrenta gigantesca resistência entre os parlamentares, que temem sofrer o desgaste político com os eleitores caso aprovem um imposto desse tipo.

Marcos Cintra, ex-secretário da Receita Federal

Marcos Cintra, ex-secretário da Receita Federal. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Essa resistência não nasceu hoje. A CPMF estava enterrada num buraco bem fundo desde 2007 e sua discussão é quase um tabu entre os parlamentares. Embora o presidente Jair Bolsonaro tenha negado, seguidas vezes, durante a campanha que a proposta pudesse ser recriada no seu governo, a equipe econômica decidiu brigar para que o imposto fosse ressuscitado. Até aí, jogo jogado. Mas o governo sequer se articulou para construir uma  solução política que viabilizasse o plano dentro do Congresso.

A queda de Cintra representa uma espécie de jogada de toalha do governo na discussão da nova CPMF e mostra o quanto a proposta ainda causa enorme desgaste político, 12 anos depois de sua extinção. Se a retomada da CPMF sair da mesa de discussões, o cenário fica mais arejado para se discutir a reforma tributária. Mas se o assunto for retomado, o governo se arrisca a sofrer mais estrago político. Porque, além de servir para arrecadar muitos recursos, a CPMF funciona para outra coisa também: desgastar quem a defende.

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