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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: O erro de cálculo na escolha de Aras

Marcelo de Moraes

Aliados de Jair Bolsonaro admitem que a reação contrária à indicação de Augusto Aras para comandar a Procuradoria-Geral da República foi muito maior do que esperavam. Antes da escolha, não havia a percepção que essa nomeação provocaria tantas queixas entre os bolsonaristas.

Mesmo sabendo que Aras não tinha a simpatia de seus eleitores por algumas declarações favoráveis à esquerda, Bolsonaro não imaginava que a rejeição seria tão forte. Até porque o presidente e seus aliados mais próximos estavam muito mais preocupados com o risco de reação negativa num assunto diferente: a Lei de Abuso de Autoridade.

O subprocurador Augusto Aras, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para o comando da PGR

Foto: Dida Sampaio/Estadão

Por isso, o presidente decidiu comprar a briga com o Congresso e fazer um extenso veto (em 19 pontos) sabendo que correria o risco de ser derrotado no Parlamento. Mas, para ele, se não fizesse um veto forte, aí sim haveria revolta entre seus seguidores. Aliados de Bolsonaro reconhecem, entretanto, que essa avaliação estava errada e que a PGR causou um estrago inesperado e grande.

A orientação, agora, é usar influenciadores digitais bolsonaristas para tentar mostrar que Aras não é uma escolha ruim e que é preciso dar um voto de confiança. Mas existe a certeza que o desgaste político foi grande. E justamente num momento em que o presidente apresentou queda expressiva nas pesquisas de avaliação do seu governo.