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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Ressaca do radicalismo de 2018 impulsiona candidatos moderados

Marcelo de Moraes

Dois anos depois de a antipolítica dominar as eleições nacionais, há uma clara ressaca política nas votações municipais deste ano. O discurso radical de 2018 claramente perdeu força, desgastado pelos excessos de seus principais representantes, especialmente o do presidente Jair Bolsonaro. O resultado prático dessa mudança de vento político é que os candidatos moderados lideram as disputas na maioria das capitais e indicam um cenário que pode se manter até a próxima corrida pelo Planalto, em 2022.

 

As pesquisas apontam claramente que a biruta mudou de direção. Em São Paulo, onde Bolsonaro teve mais de 60% dos votos válidos no segundo turno, o líder consolidado é Bruno Covas (PSDB). O tucano é aliado do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), justamente um dos principais adversários políticos do presidente. Covas tem um perfil discreto e de centro.

No Rio, o jogo de cintura e capacidade de articulação de Eduardo Paes (DEM) o transformaram no favorito absoluto para se eleger. Depois de dois mandatos como prefeito, Paes não conseguiu sequer colocar seu candidato, o deputado Pedro Paulo, no segundo turno em 2016, numa disputa já polarizada entre direita, representada por Marcelo Crivella (Republicanos), e esquerda, com Marcelo Freixo (PSOL). Crivella venceu, num ensaio do crescimento do radicalismo de direita que se espalharia por todo o Estado em 2018 e que levou à eleição do governador Wilson Witzel (PSC).

Witzel fazia parte da onda carimbada erradamente como “nova política”. Na verdade, tratava-se simplesmente de antipolítica, já que se afirmou rejeitando a política como um todo. Alinhado ao radicalismo bolsonarista, o quase desconhecido Witzel derrotou o próprio Paes. Fulminado por escândalos, que contribuíram para produzir a ressaca do radicalismo, Witzel já foi afastado do governo. E Paes, depois de dois fracassos seguidos, agora se embala na onda moderada.

Em Belo Horizonte, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) poderá ter a vitória mais expressiva do primeiro turno nas capitais. Depois de derrotar o tucano João Leite no segundo turno da eleição de 2016, Kalil já tem a reeleição dada como certa tamanha a vantagem sobre os adversários. É outro prefeito que prefere passar longe das confusões, embora, volta e meia, dispare algumas frases fortes. Mas é acusado pelos bolsonaristas de ser de esquerda e pela esquerda de ser liberal. Indiferente aos ataques, vai se reeleger ignorando os dois grupos.

Em Salvador, quarta maior cidade em disputa, os moderados também devem ganhar no primeiro turno com Bruno Reis (DEM). Bancado politicamente pelo atual prefeito ACM Neto, Reis integrava sua equipe de secretários e fortalece a posição nacional do padrinho. ACM Neto é o presidente nacional do DEM, que participa ativamente da construção de uma candidatura presidencial de Centro e com amplitude no seu arco de alianças.

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