Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Se quiser vender Eletrobrás, governo precisa dobrar Alcolumbre

Marcelo de Moraes

Exclusivo para assinantes

Em café da manhã com jornalistas, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, repetiu, pela enésima vez, que o governo vai precisar reformular toda a sua proposta se quiser vender a Eletrobrás. Insistiu que, do jeito que o governo está querendo fazer, não vai passar pelo Senado. Dois meses atrás, chegou a sugerir que o Planalto tocasse a privatização dos Correios em primeiro lugar, já que a venda da Eletrobrás desagradava muitos senadores, especialmente os da bancada do Norte e do Nordeste.

Como considera a Eletrobrás uma das joias da coroa dentro do programa de desestatização, resta apenas um caminho para o governo: abrir conversa com o presidente do Senado para tentar montar um novo modelo para negociar a companhia. Ou amargar, durante o próximo ano, um processo de desgaste tentando fazer avançar um processo ao qual o próprio presidente do Senado se opõe.

A posição de Alcolumbre acabou provocando um efeito colateral no modo como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, encara a venda da Eletrobrás. Maia defende abertamente que a empresa seja negociada como forma de melhorar seus serviços através de novos investimentos privados. Mas o deputado me disse que não vai colocar a proposta sequer em pauta enquanto Alcolumbre estiver contrário à discussão.

A razão é óbvia. De que adianta a Câmara e Maia se desgastarem com uma votação tão complexa e difícil como essa, sabendo que ela vai morrer quando chegar ao Senado? Maia me disse que se houver uma mudança nessa posição de Alcolumbre, o assunto muda de patamar e será possível avançar com a venda da Eletrobrás. Até lá, mesmo sendo favorável à questão, Maia não pretende tomar a iniciativa para destravar a negociação. A bola, a partir da repetição da fala de Alcolumbre, continua com o governo.

Tudo o que sabemos sobre:

EletrobrásAlcolumbre