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por Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Sob pressão, Bolsonaro reage mal e acumula erros políticos

Marcelo de Moraes

Jair Bolsonaro tem reagido mal à pressão que vem sofrendo para iniciar de uma vez o processo de vacinação contra o coronavírus. Seu negacionismo diante da doença é público e notório. Mas, nas últimas semanas, ele e seu governo têm cometido erros estratégicos que podem ter um custo político muito caro.

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro Foto: Gabriela Biló/Estadão

A demora para começar a vacinação no País é o mais óbvio dos erros. Enquanto, desde o fim do ano passado, outros países já vacinam seus cidadãos, o Brasil não tem sequer uma data para iniciar o trabalho por aqui.

No seu costumeiro jogo de controle de narrativa, Bolsonaro segue culpando sempre os outros pela demora. Nesta quarta, tentou emplacar pelas redes sociais a versão de que a vacinação nos outros países não está tão avançada assim. Mas, com imagens da imunização inundando a internet, a narrativa só serve para atender os bolsonaristas já convertidos. E cada dia de demora na vacinação representa mais impaciência e desgaste.

O desastre logístico do processo de compra de seringas é outra lambança que causa prejuízos à imagem do governo. E deve piorar se for para valer o anúncio feito hoje pelo presidente dizendo que a compra está suspensa, “até que os preços  voltem à normalidade”.

Declarar do nada que “o Brasil está quebrado” e que “não consegue fazer nada” foi outro tiro no pé. A declaração causou inquietação entre investidores, ameaçando a credibilidade da economia do País. Tanto que o ministro da Economia, Paulo Guedes, precisou interromper as férias para tentar amenizar a fala e apagar o incêndio causado pelo chefe.

A declaração também inflamou os ânimos da oposição, que andava sonolenta. Rapidamente, os adversários do presidente passaram a defender sua renúncia, já que afirma que não consegue fazer nada.

Para piorar, apesar da situação difícil do País, Bolsonaro não se importou de se apresentar publicamente curtindo sua folguinha de Natal e de Réveillon. Bateu uma bolinha, pescou e nadou com a galera, enquanto o número de mortes pela covid voltou a disparar.

Há uma combinação de problemas à frente do presidente. Explosão de casos de covid, impacto nos mais pobres pelo fim do auxílio emergencial, desemprego elevado, inflação disparando e risco de derrota de seus candidatos no

Congresso. Bolsonaro tem reagido muito mal sob pressão e a má notícia para ele é que ela não deverá diminuir tão cedo.

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