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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Tombo do PIB será menor, mas retomada é desafio

Marcelo de Moraes

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Há quase dois meses, o mercado vem reduzindo suas previsões para o tamanho que a queda do PIB terá em 2020. A retomada da atividade econômica no País vem, a cada semana, alterando as previsões apocalípticas que vinham sendo feitas no auge da pandemia do coronavírus. E, claro, o mercado já calcula que o buraco será menos fundo do que se imaginava.

Sede do Banco Central

Sede do Banco Central Foto: André Dusek/ Estadão

O relatório Focus desta segunda-feira, 17, mostra isso, trazendo mais uma redução na expectativa do PIB. Como tem acontecido semanalmente, a previsão de queda baixou agora de 5,62% para 5,52%.

Há dois pontos importantes: o primeiro é a leitura do mercado de que o pior já passou para a economia, ainda que a retomada das atividades esteja aquém do que pode alcançar.

O segundo ponto é que, mesmo menor do que se imagina, continuará havendo um tombo muito grande no PIB. É difícil acreditar hoje na previsão feita pelo FMI, no fim de junho. Na ocasião, a instituição previu uma queda de 9,1% para o Brasil. No cenário atual, essa previsão parece ter desaparecido na poeira. Mas um tombo entre 5% e 6% continua sendo grande e demandará enorme trabalho para que seja revertido.

E há um enorme problema extra. Nesse momento, o governo se vê às voltas com uma divisão interna em torno da linha econômica a se seguir, entre liberais e desenvolvimentistas, e com o ministro da Economia, Paulo Guedes, sendo questionado como nunca, o desafio de retomar o crescimento pode ser mais difícil do que se imagina. Uma disputa interna é tudo o que o governo não precisa para tentar encontrar o caminho da recuperação.