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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Trégua política não durou nem uma semana

Marcelo de Moraes

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Na quinta-feira passada, numa reunião de Jair Bolsonaro com governadores e com outras autoridades, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, propôs que se levantasse uma bandeira branca e que as divergências fossem postas de lado em favor do País. A proposta de “trégua” era uma tentativa de pacificar as relações políticas entre o presidente, governadores, Congresso e Judiciário para facilitar o trabalho de combate ao coronavírus e redução da quebradeira econômica.

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro Foto: Gabriela Biló/Estadão

A Operação Placebo, deflagrada hoje pela Polícia Federal com busca e apreensão em vários endereços do governador do Rio, Wilson Witzel, foi vista como o fim desse movimento de pacificação. As investigações vão mostrar se Witzel é culpado ou não das suspeitas de participar no esquema de gasto irregular de recursos destinados ao combate ao coronavírus. Mas, como o governador é um dos principais opositores de Bolsonaro, a operação foi classificada por ele como perseguição política. Outros políticos também viram com desconfiança a investigação e colocaram novamente as barbas de molho para uma eventual reaproximação com o governo.

Witzel, claro, reagiu duramente. “A interferência anunciada pelo presidente da República está devidamente oficializada”, disse o governador, se referindo às acusações feitas por Sérgio Moro contra Jair Bolsonaro de tentar interferir na direção da PF e na Superintendência do Rio.

Witzel ainda bateu mais forte, afirmando que o que aconteceu com ele “também vai acontecer com outros governadores considerados inimigos” e cobrou que a PF tenha a mesma velocidade na investigação contra o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, como agiu com ele. E disse que o senador já deveria estar preso.

“O senador Flávio Bolsonaro, com tantas acusações feitas contra ele, deveria estar preso e a Polícia Federal deveria fazer o trabalho com a mesma celeridade que passou a fazer aqui no Rio de Janeiro”, protestou.