Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Marcelo de Moraes

Doria causa desconforto em reunião com governadores e Pazuello

Equipe BR Político

Exclusivo para assinantes

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), é contra a ideia do governador João Doria (PSDB-SP) de se colocar à frente no País com seu plano de vacinação contra o novo coronavírus a partir de 25 de janeiro, mesmo sem autorização ainda da Anvisa. Wellington Dias (PT) também criticou a iniciativa de Doria, enquanto outros Estados ainda não têm imunizantes, após se reunirem com o ministro (Saúde) Eduardo Pazuello, nesta tarde de terça, 8. Para Caiado, será um “constrangimento” aos governadores, caso o governo paulista vacine parte da população de outros Estados, conforme consta no pacote anunciado ontem pelo tucano. “Causou um desconforto enorme”, afirmou o governador do DEM.

A briga de Doria com o governo federal passa também pelo prazo estipulado pela Anvisa para autorizar o uso da vacina Coronavac no País, de até 60 dias. O medicamento é desenvolvido pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantã.

Na reunião, o governador paulista questionou Pazuello com uma pergunta desconfortável: “O que difere, ministro, a condição e a sua gestão de privilegiar duas vacinas em detrimento de outra? É uma razão de ordem ideológica e política ou é uma razão de falta de interesse de disponibilizar mais vacinas?”, quis saber. A pergunta faz referência às medidas provisórias do governo para compra de doses dos imunizantes produzidos pela Oxford-AstraZeneca e as do consórcio Covax, que é gerido pela OMS.

Em resposta, Pazuello afirmou que não descarta a compra, mas que o negócio só será fechado após o registro do produto pela Anvisa e se houver demanda. Ele disse que o preço do produto também será considerado.

“Por que excluir a Coronavac já que o procedimento junto à Anvisa é igual ao Covax e AstraZeneca?”, questionou Doria. Ele lembrou que, em outubro, Pazuello prometeu a compra de 46 milhões de doses da Coronavac, mas teve de recuar após ser desautorizado pelo presidente Jair Bolsonaro. “Infelizmente o presidente desautorizou o senhor, foi deselegante. Em menos de 24h, impediu que a sua palavra fosse impedida perante os governadores”, disse Doria em outro momento da reunião.

Pazuello respondeu que o investimento na Covax Facility é para o desenvolvimento de vacinas. As doses só serão compradas, por meio do consórcio, após o registro na Anvisa, segundo Pazuello.

Ele ainda rebateu Doria ao afirmar que a Coronavac não é do governo paulista, mas do Butantã. “Se houver demanda, preço, vamos comprar”, disse Pazuello na reunião.

O ministro e Doria já haviam discutido mais cedo, na mesma reunião, quando Pazuello pediu que Doria respeitasse a ordem de fala e esperasse a manifestação de outros governadores.

Tudo o que sabemos sobre:

João DoriavacinaEduardo Pazuello