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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Doria diz que Bolsonaro ‘é um irresponsável’ e acusa Anvisa de atuação política

Equipe BR Político

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O governador João Doria (PSDB) criticou o presidente Jair Bolsonaro e deu declarações fortes sobre a atitude do chefe do Planalto frente à paralisação dos estudos da Coronavac nesta semana. Além das críticas ao presidente, o governador acusou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de ter atuado politicamente em entrevista à Revista Veja publicada nesta sexta-feira, 13. Doria afirmou que o presidente “é um irresponsável” por ter comemorado o caso que resultou na decisão da Anvisa de paralisar os testes da vacina.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB) Foto: Divulgação/Governo do Estado de SP

“Eu me decepcionei mais do que me surpreendi. Foi chocante, não só para o Brasil, mas para o mundo”, disse. “Não se comemora uma morte, se chora por ela. Bolsonaro classificou de covardes as pessoas que não estão saindo para garantir a sua sobrevivência. Ele chamou de ‘maricas’ quem está protegendo a própria saúde, a dos familiares e a dos amigos. É triste termos um presidente assim”, afirmou o governador.

A agência regulatória decidiu paralisar os estudos depois da morte de um voluntário não relacionada aos testes do imunizante, por suicídio. O caso gerou uma indisposição entre o Instituto Butantan e a Anvisa, que pegou a instituição de surpresa com a decisão, posteriormente comemorada pelo presidente. A paralisação foi revertida menos de 48 horas depois, mas levantou dúvidas sobre a autonomia da agência responsável pela aprovação de vacinas no País.

“Nem a própria Anvisa acreditou naquilo que propagou. Ficou claro que a decisão foi motivada por uma orientação ou pressão exercida pelo Palácio do Planalto. Foi um fato inédito na história da agência”, acusou Doria. Na terça, a agência fez uma coletiva de imprensa afirmando que a decisão teria sido técnica, mas na ocasião, mesmo com dados sobre a causa da morte do voluntário, manteve os testes paralisados. 

“Até esse equívoco havia uma confiança na autonomia da agência. O episódio recente mudou essa percepção. Se ela for comandada pelo Planalto, passará de agência de vigilância sanitária para de vigilância ideológica”, afirmou o governador. 

Governo brasileiro e 2022

O governador evitou falar diretamente sobre a possibilidade de rivalizar com Bolsonaro em 2022. “Vamos deixar 2022 para 2022”, disse. Doria afirmou, porém, que se o presidente não mudar de posição, uma política de entendendimento no País deve ter lugar em um próximo governo eleito em 2022. “Meu desejo era que ele mudasse de posição, ainda há tempo de adotar um comportamento de paz e entendimento, mas, se não for possível nos próximos dois anos, talvez seja num novo governo eleito democraticamente a partir de 2022.”

O governador afirmou que a vitória de Biden, ainda não reconhecida por Bolsonaro, deve ser “influenciar positivamente” o Brasil. “Jair Bolsonaro perde a sua grande referência, Donald Trump. Ele terá agora de conviver com uma postura diametralmente oposta à que tanto idolatrou”, disse.

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