Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Doria e as cascas de banana de Bolsonaro

Vera Magalhães

Para repetir a polarização de 2018, com o PT, parte evidente de seu plano reeleitoral, Jair Bolsonaro sabe que tem de aniquilar qualquer possibilidade de surgir um candidato de centro viável, que se beneficie de um eventual cansaço da sociedade com o grau de estridência da política brasileira. Por isso, mostro na minha coluna desta quarta-feira no Estadão, João Doria e Luciano Huck, nomes que despontam neste campo, viraram alvo do presidente e de sua máquina de militância virtual desde já.

E o governador de São Paulo tem escorregado nas cascas de banana lançadas pelo presidente. Ao responder sobre o jatinho que comprou da Embraer usando um programa de crédito do BNDES, em vez de responder que não cometeu nenhuma ilegalidade e usou uma linha de crédito existente, tratou de dizer que quer “distância” do PT, de Lula e de Dilma. Vestiu a carapuça. Nesta terça, mandou suspender um material de ciências para alunos do 8.º ano da rede pública (13-14 anos), dizendo que seu governo não admite “apologia” à “ideologia de gênero”.

Jair Bolsonaro, presidente da República, e João Doria, governador de São Paulo, durante solenidade

Foto: Marcos Correa/PR

Reencarna nesses momentos o Bolsodoria, personagem que inventou no segundo turno de 2018, quando passou apuros para vencer Márcio França. Uma vez eleito, no entanto, vinha batendo na tecla de que é de centro, não de centro-direita. Se insistir em replicar o léxico e as pautas da direita quando provocado por Bolsonaro, corre o risco de o eleitorado dizer que, entre o original e o genérico, fica com o primeiro.