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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Doria muda tom após novo vídeo com policial agressor em Paraisópolis

Equipe BR Político

Depois de defender a ação da Polícia Militar dentro da comunidade de Paraisópolis com saldo de nove mortes na madrugada de sábado para domingo, o governador de São Paulo, João Doria, mudou o tom e afirmou nesta terça, 3, em seu Twitter que exigiu “punição exemplar” a um policial que aparece em um vídeo surgido hoje, mas datado de outubro, batendo em pessoas que passavam em uma rua da favela com um pedaço de metal.

No domingo, 1, dezenas de vídeos, relacionados por moradores à festa, foram divulgados na rede mostrando a truculência policial na ocasião, mas Doria foi veemente na segunda, 2, na defesa da corporação ao sustentar que o programa de segurança “não vai mudar”, como você leu no BRP.

De acordo com relatos de moradores da comunidade e pessoas que estavam no baile, a polícia utilizou gás lacrimogêneo nas ruas lotadas, causando tumulto, e bloqueou saídas, além de ter agredido sem distinção jovens que estavam pelas ruas. Segundo a PM, foi uma reação a agressões que receberam, com pedradas e garrafadas. Em um dos vídeos da madrugada do domingo, 1, quando ocorreu a tragédia, um policial derruba no chão e chuta várias vezes uma pessoa. Outro vídeo, de jovens encurralados numa viela apanhando de um policial com cassetete, fora inicialmente atribuído à festa, mas hoje a TV Globo revelou que se tratava de uma outra ação policial, no mesmo fim de semana, em outra comunidade, de Heliópolis.

De acordo com relatos, os policiais também impediram a prestação de socorro às vítimas e fizeram ameaças a pessoas que tentavam ajudar. Um pedido de ambulância do Samu feito por uma jovem no local que afirmou que ela e um rapaz haviam sido agredidos por um policial foi cancelado por um soldado do Corpo de Bombeiros, alegando que o socorro já havia sido prestado pelos PMs. 

A polícia entrou a festa de rua, que tinha cerca de 5 mil pessoas, quando, segundo ela, perseguia dois suspeitos que entraram no baile durante a fuga. Na segunda-feira, 2, seis policiais envolvidos na ação foram afastados do trabalho. A investigação do ocorrido está sendo realizada pela Corregedoria da Polícia Militar, que apura a conduta dos PMs, da Polícia Civil, pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa e do Ministério Público.