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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Duas embaixadas em Jerusalém poderiam dar Nobel da Paz a Bolsonaro, diz Amin

Alexandra Martins

Relator da indicação do diplomata Hermano Telles Ribeiro para o cargo de embaixador do Brasil no Líbano, o senador Esperidião Amin (PP-SC) anunciou nesta quinta, 13, que o ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) aceitou o convite para participar de uma sessão da Comissão de Relações Exteriores do Senado para debater a posição favorável do Brasil à recente proposta unilateral do presidente Donald Trump de negociação pela paz entre Palestina e Israel. Será no dia 5 de março.

O senador Esperidião Amin

O senador Esperidião Amin Foto: Dida Sampaio/Estadão

Filho de imigrante libanês, Amin reverberou pelo colegiado sua preocupação com as consequências que um alinhamento do Brasil aos EUA na questão israelo-palestina pode trazer ao Brasil. O senador Carlos Viana (PSD-MG) aproveitou a situação para saber de Telles Ribeiro seu entendimento sobre a ideia do governo brasileiro de mudar a embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém, cujo território é reivindicado por palestinos e israelenses. O diplomata foi cauteloso, mas lembrou em sua resposta que a maior parte dos países integrantes das Nações Unidas não reconhece Jerusalém como capital de Israel.

“O Brasil tem todas as credenciais para atuar em qualquer cenário, temos esse acervo diplomático, mas ocorre que é preciso que as partes em litígio queiram negociar, o que não é o que está configurado neste momento”, afirmou Telles Ribeiro nesta quinta, em sessão do colegiado.

Amin, na sequência, expôs sua ideia, a ser formalizada “em breve” por meio de um projeto de resolução, de criar duas embaixadas do Brasil na região: “uma junto a Israel, em Jerusalém Ocidental, e outra junto à Palestina, em Jerusalém Oriental, simultaneamente”. Segundo ele, essa saída poderia, inclusive, “credenciar” o presidente Jair Bolsonaro para receber o Nobel da Paz.