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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

E a caixa preta do BNDES, hein?

Vera Magalhães

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Uma das grandes lendas urbanas de 2019 foi a tal “caixa preta” do BNDES. Joaquim Levy foi chutado da presidência do banco de fomento porque não atendeu ao fetiche de Jair Bolsonaro de revelar a tal caixa preta.

Foi substituído por Gustavo Montezano em julho, com a promessa, por parte deste, de que finalmente abriria ao mundo os podres do BNDES. “O que a gente está se propondo a fazer é explicar a ‘caixa-preta’. Há uma duvida clara sobre o que há ou não no BNDES. Cada um me conta uma informação diferente da mesma história. Ao final de dois meses, quero ser capaz de explicar esse conjunto de regulações, empréstimos, perdas financeiras que contextualizam a ‘caixa-preta’. O que sairá desse estudo, eu prefiro não comentar agora. Prefiro fazer o dever de casa e qualificar esse tema”, disse Montezano, ao ser empossado.

Pois bem, mais que o dobro desse tempo se passou e, cinco meses depois, ele vem a público para dizer que o que havia para se saber a respeito das gestões anteriores do banco já se sabe. Como diziam Levy, Paulo Rabello de Castro e Maria Sylvia Bastos, que comandaram o banco depois da gestão petista.

“Hoje, entendemos que não há nada, nenhum evento mais, que requeira esclarecimento. A sociedade está com informação de qualidade, substancial. Mas, se for necessário, vamos expor novamente”, afirmou na semana passada.

A imprensa foi criticada pelos bolsonaristas por dizer que, por uma questão de sigilo de operações com clientes, o BNDES não poderia expor o tipo de informação que Bolsonaro cobrava. E que o que precisava ser revelado sobre operações irregulares já havia sido exposto em operações como a Lava Jato e a Greenfield.

Ainda assim Levy foi humilhado publicamente e demitido por não corresponder a uma narrativa. Aliás, pela segunda vez, pois com Dilma Rousseff sua passagem foi igualmente turbulenta.