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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

E agora, Partido Novo?

Vera Magalhães

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O Partido Novo surgiu e empolgou uma parcela da sociedade, notadamente a elite dos grandes centros urbanos, graças ao discurso liberal, de máxima austeridade fiscal e redução do tamanho e dos gastos do Estado.

Foto: Coluna Estadão

Nas últimas eleições, fez uma bancada federal de oito deputados, elegeu o primeiro governador, no segundo maior Estado da federação, e fez deputados em várias Assembleias. Seu candidato a presidente, João Amoedo, chegou a ter mais votos que nomes de grandes legendas, como Geraldo Alckmin e Henrique Meirelles.

Passadas as eleições, os dilemas de aplicação prática do discurso começaram a ficar evidentes. O mais recorrente tem sido a posição em relação ao governo Jair Bolsonaro: sob a justificativa de apoiar as reformas econômicas, o partido muitas vezes tem sido cobrado de ser condescendente com os abusos do presidente em outras áreas.

Além disso, uma crise se instalou com a necessidade de lidar com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, filiado à sigla e cuja política ambiental passou a ser alvo de críticas no País e no exterior. Ele foi suspenso pela legenda, mas recorre e o mal estar segue.

Agora, o único governador do Novo, Romeu Zema, rasga a Bíblia da responsabilidade fiscal e manda à Assembleia de Minas um projeto para conceder um exorbitante reajuste de 41,7% para servidores da área de segurança. Ele é aprovado, acrescido de uma emenda que estende a farra a outras categorias. E Zema se vê diante do dilema de vetar ou não.

O populismo saiu pela culatra — ainda que fique bem com as forças de segurança, vai se indispor com todo o resto do funcionalismo — e o governador ainda tratou de jogar a marca de seu partido no lixo. Mais: põe em risco todo o ajuste fiscal nacional, do ministro Paulo Guedes, que a bancada federal tem apoiado.

Por fim, o movimento de Zema funciona como combustível para movimentos de greves na polícia, como o do Ceará, algo que aproxima o Novo, por vias tortas, de partidos de esquerda, como o PT, que ele nasceu para combater.

O caso de Zema é muito mais sério para o futuro do Novo que o de Salles. No limite, para ser coerente com o que prega, o partido deveria dizer ao governador que ou ele veta o aumento na íntegra, inclusive para policiais, e admite que não tem como concedê-lo e errou, ou deveria ser expulso.

Urge uma manifestação mais firme da cúpula da sigla, que até aqui parece perplexa diante de seu pior pesadelo.

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