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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Economia brasileira mais ‘descasada’ do Estado?

Equipe BR Político

Para o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, o Brasil está “no fim do começo da recuperação”. Mesquita afirma que a diminuição do gasto do Estado, almejado pelo governo com as próximas reformas “pós-Previdência”, é uma mudança “bastante intensa na forma de funcionar da economia brasileira, que está se tornando menos dependente do Estado e mais sensível à política monetária”.

“Um Estado em que os gastos não crescem mais como vinham crescendo e sem aquela política de crédito subsidiado do BNDES trouxe para baixo a taxa de juros neutra, que não acelera nem desacelera a inflação”, afirmou o economista, em entrevista à Folha. Para Mesquita, o Brasil passa por uma mudança estrutural, na qual o setor privado nacional ganha força em um momento de estagnação da economia mundial e de menor gasto público.

Essa mudança, diz, é sentida de maneira heterogênea nas diversas regiões do País. “A atividade econômica em São Paulo e no Sul, que são regiões mais sensíveis à política monetária, está respondendo bem. Já regiões onde a sensibilidade à política monetária é menor e a dependência do Estado é maior crescem mais lentamente”.

Ele também acredita que o aumento da produção do petróleo, com o megaleilão do pré-sal, pode contribuir com um maior crescimento econômico em 2020. “Em 2021, com o petróleo, e mais progresso no setor de infraestrutura, a gente pode vislumbrar um crescimento próximo a 3% ao ano”, diz.