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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Eduardo arruma as malas para Washington

Vera Magalhães

Atros na reforma da Previdência, manutenção de um líder do governo investigado por corrupção quando era ministro de Dilma Rousseff, aceitação pacífica da derrubada de vetos em série em dispositivos condenados pelo próprio eleitorado, como a Lei de Abuso de Autoridade. Jair Bolsonaro não deu um “pio” para se manifestar contra nenhum desses sinais de que a velha política está mais viva do que nunca, com a sua complacência, por um simples motivo: vem aí, depois de meses de atraso, a indicação ao Senado de Eduardo Bolsonaro para a Embaixada do Brasil em Washington. É sobre isso que escrevo na minha coluna deste domingo no Estadão.

No caminho sempre tumultuado do bolsonarismo, a preparação para a indicação do 03 teve algumas caneladas nos senadores, por parte dele e dos irmãos, mas isso são bobagens. O verdadeiro jogo foi jogado entre Bolsonaro e Davi Alcolumbre, que será o fiador da aprovação de Eduardo pela Casa, em troca de benesses também todas com cara da política de sempre.

Só o alvoroço das redes sociais explica que um ilustre desconhecido como o senador do Amapá tenha sido comprado como o moralizador do Senado pelo simples fato de ter enfrentado Renan Calheiros. A decepção das mesmas redes quando ele se mostra um político corporativista como os demais é uma mostra da maneira binária e irracional com que escolhas políticas são feitas hoje em dia.