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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

O que faltou para Eduardo na embaixada? Voto

Vera Magalhães

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Que ninguém caia na esparrela de que Eduardo Bolsonaro desistiu da nomeação para a Embaixada do Brasil em Washington para ajudar o pai em votações da chamada pauta de costumes ou para pacificar o PSL. A indicação para a liderança do partido na Câmara veio bem a calhar para dar ao filho 03 do presidente uma saída honrosa para uma situação que vinha se arrastando desde julho e que estava empacada por falta de algo muito simples: votos no Senado para que ele fosse aprovado.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) em visita aos EUA

Eduardo Bolsonaro. Foto: Erin Schaff/NYT

O placar desde sempre era apertado, e Eduardo precisaria contar com a boa vontade de personagens como Davi Alcolumbre para passar, num placar apertado e arriscado, pelo plenário do Senado. Situações como a implosão do PSL e, antes, a busca e apreensão nos endereços do líder do governo na Casa, Fernando Bezerra Coelho, levaram mais incerteza ao cenário.

Não fosse a embaixada o plano A, e até recentemente o único, Bolsonaro não teria enviado o pedido de aprovação do filho ao governo dos Estados Unidos nem teria comissionado o chanceler Ernesto Araújo para levar o filho para cima e para baixo em missões de “treinamento”.

Mas mesmo com o agrément do governo Trump a indicação para o Senado não foi mandada. Por quê? Primeiro, a justificativa foi a inconveniência de misturar o tema à votação da reforma da Previdência -e ainda bem que o governo teve bom senso ao não fazê-lo.

No intervalo entre o anúncio de que Bolsonaro decidira dar o filé ao filho e a desistência (por ora, sabe-se lá se o pleito não volta no próximo Natal), Eduardo Bolsonaro exibiu sua falta de traquejo diplomático em caneladas em líderes mundiais, organismos internacionais, a oposição e correligionários, ajudando a dinamitar um caminho que já era tortuoso.

A saída honrosa foi dizer que o filho poderia escolher o que queria. É tão verossímil que alguém com pretensões a opinar sobre relações internacionais, como ele, fosse preferir ser líder de um partido em guerra como que uma criança, confrontada pelos pais quanto ao presente de Natal, fosse preferir uma peteca a um videogame novo.