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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

O emprego esquecido de Eduardo Bolsonaro

Equipe BR Político

Entre os anos de 2003 e 2004, o então estudante de Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro Eduardo Bolsonaro se dividia entre a faculdade e um emprego que estava a quase 1.100 quilômetros de distância, em cargo comissionado de 40 horas semanais na liderança do então partido do pai, o PTB, na Câmara dos Deputados, em Brasília, de acordo com reportagem da BBC News.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

A frequência do jovem, que anos mais tarde almejaria o cargo de embaixador brasileiro em Washington, foi atestada pela Câmara, que garante que mesmo com a distância, enquanto Eduardo ocupou o cargo de Assistente Técnico, não houve registros de faltas. Sobre o emprego e a “ginástica” – no mínimo – para estar em dois lugares ao mesmo tempo, Eduardo disse à reportagem não lembrar dos 16 meses em que ocupou – ao menos em teoria – o primeiro cargo público formal.

“Olha, eu teria que puxar forte pela memória aqui então… Mas eu acho que não teria problema nenhum, conseguir trabalhar, prestar um serviço partidário”, disse. Mas o pai, o atual presidente da República, quando era deputado, em 2005, falou sobre o emprego do 03. “Já tive um filho empregado nesta Casa e não nego isso. É um garoto que atualmente está concluindo a Federal do Rio, uma faculdade, fala inglês fluentemente, é um excelente garoto. Agora, se ele fosse um imbecil, logicamente estaria preocupado com o nepotismo”, disse Bolsonaro.

Questionada pela BBC, a Câmara afirmou que antes da Resolução 1/07, o Ato da Mesa 11/1995 regulamentava a frequência e a lotação dos CNEs, cargo ocupado por Eduardo à época. Segundo a Câmara, até a publicação do Ato da Mesa 86/2006, não havia vedação expressa à lotação do servidor em outras localidades, o que possibilitava o entendimento de que poderiam trabalhar fora de Brasília.