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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Eduardo diz que resposta à radicalização pode ser via AI-5

Cassia Miranda

Pela segunda vez na semana, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) voltou a flertar com a ditadura militar. Desta vez, Eduardo citou a possibilidade de edição de um novo AI-5 para conter a “radicalização” da esquerda.

Deputado Eduardo Bolsonaro volta a flertar com a ditadura militar (PSL SP) Foto: Dida Sampaio / EstadãoEm entrevista ao programa de Youtube da jornalista Leda Nagle, ao ser questionado sobre uma suposta ligação entre o Foro de São Paulo e as manifestações no Chile, o filho do presidente Jair Bolsonaro afirmou que a ação dos manifestantes chilenos é semelhante a dos black blocs, que ele associou à esquerda. A partir daí, o deputado começou sua pregação contra o comunismo.

Segundo Eduardo, por conta da articulação comunista na América Latina, “vai chegar um momento em que a situação vai ser igual ao final dos anos 60 no Brasil”. E afirmou: “Se a esquerda radicalizar a esse ponto” uma resposta precisará ser dada”.

“E uma resposta, ela pode ser via um novo AI-5, pode ser via uma legislação aprovada através de um plebiscito como ocorreu na Itália… Alguma resposta vai ter que ser dada. Porque é uma guerra assimétrica, não é uma guerra em que você está vendo o seu inimigo do outro lado e você tem que aniquilá-lo como acontece nas guerras militares. É um inimigo interno, de difícil identificação aqui no País. Espero que não chegue a esse ponto, né, mas a gente de que estar atento”, afirmou o parlamentar. A entrevista foi gravada no último dia 28, e foi ao ar nesta quinta-feira, 31.

O Ato Institucional nº 5 foi o mais duro instituído pela ditadura militar, em 1968, ao revogar direitos fundamentais e delegar ao presidente da República o direito de cassar mandatos de parlamentares, intervir nos municípios e Estados. Também suspendeu quaisquer garantias constitucionais, como o direito a habeas corpus. A partir da medida, a repressão do regime militar recrudesceu.

Um dia depois da entrevista, Eduardo disse no plenário da Câmara que se o Brasil passar a registrar manifestações semelhantes às do Chile, os manifestantes “vão ter que se ver com a polícia”. Segundo ele, se tiver uma radicalização nas ruas, “a história irá se repetir”.