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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Eduardo fala que pai pode tomar ‘medidas enérgicas’

Gustavo Zucchi

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Em uma live na internet, o filho do presidente, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), levantou a possibilidade de seu pai, Jair Bolsonaro, ter de tomar “medidas enérgicas” ao “não ter mais saída” diante das ações recentes do Supremo. O parlamentar elencava os “absurdos” da STF, hoje considerado pelo bolsonarismo como principal adversário do governo. “Estamos vendo uma iniciativa atrás da outra para esgarçar essa relação. E depois não se engane. Quando o presidente não tiver mais saída e tiver que tomar uma medida enérgica ele que será taxado como ditador”, afirmou.

Eduardo reclamou, por exemplo, da divulgação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 e do pedido para apreensão do celular do presidente da República, enviado por Celso de Mello para a PGR. O parlamentar ainda foi além ao tratar do inquérito sobre fake news. Disse que não quer apenas o arquivamento da investigação. Para ele, é necessário que os responsáveis pelo inquérito, no caso maior o ministro Alexandre de Moraes, sejam punidos. “Suspender esse inquérito, não basta. A gente vai ter que correr atrás para punir, porque isso chama-se abuso de autoridade”, disse Eduardo.

A irritação do deputado vem após Moraes determinar uma série de buscas e apreensões contra empresários e blogueiros que defendem o governo de seu pai e são parte de um inquérito que apura ataques contra o Supremo. “Enquanto policial federal, se eu pego minha arma e coloco na cara de alguém, de uma pessoa inocente, eu não tenho direito de fazer isso. Isso é um crime. O que o ministro Alexandre de Moraes fez hoje é um crime. Ele utilizou o poder de seu cargo para perseguir pessoas”, afirmou o deputado.

O assunto foi introduzido por outro participante da live, o “guru” Olavo de Carvalho. Exaltado, Olavo falou até em “pena de morte” para o ministro da Suprema Corte. “Essa gente não deveria ter o direito de abrir a boca. Para mim, esse Alexandre de Moraes tem que ser posto na cadeia e não ter o direito de falar. Eu sou a favor da pena de morte para esses casos”, afirmou, chamando ainda o magistrado de “genocida” e “comunista”. Também participaram da live a deputada Bia Kicis (PSL-DF), o psiquiatra Italo Marsili, que chegou a ser cotado para o Ministério da Saúde, e o blogueiro Alan dos Santos. Nenhum deles se posicionou contra a ideia de Carvalho.