Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Eduardo: ‘Não apertei gatilho, não toquei fogo, não matei ninguém’

Marcelo de Moraes

Exclusivo para assinantes

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) foi criticado por parlamentares de oposição durante a sessão da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara por conta de suas declarações sobre o AI-5. O filho do presidente Jair Bolsonaro decidiu responder as críticas feitas pela deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), que afirmou que seu comportamento defendendo o AI-5 lhe causava constrangimento.

“O senhor nos constrange com esse comportamento. Eu não vou pedir a sua renúncia da Presidência dessa comissão porque eu penso que tem um Conselho de Ética para apurar a vossa postura. Mas, por esse constrangimento, acho que isso mereceria, minimamente, um pedido de desculpas também a essa comissão. Portanto, deputado, para sentar nesta cadeira é preciso honrá-la. Por aqui passaram muitas personalidades da política brasileira e o que está acontecendo hoje, vendo vosso pronunciamento, vossa postura, eu me sinto constrangida com sua presença”, disse Perpétua.

Eduardo voltou a afirmar que não propôs a volta do AI-5 e acabou fazendo um desabafo: “Em última análise, como estamos em campos políticos distintos, seria estranho se pessoas do Partido Comunista Brasileiro (sic) estivessem me aplaudindo. O que se tenta fazer é criar uma narrativa colocando palavras em minha boca. Eu acho que todo mundo viu o vídeo. Deu para ver perfeitamente que não existe qualquer perigo ou hipótese de retorno de AI-5. E na continuidade da minha fala, eu falo de alguma medida enérgica, alguma coisa nesse sentido. O que a gente não pode é ter aqui parlamentares que defendam tocar fogo em prédio, tocar fogo em metrô. Isso que eu estou querendo evitar. Ou será que alguém aqui é a favor que nós tragamos o terror que está acontecendo no Chile para cá? Apenas isso”, disse.

O deputado também insistiu no direito de ter sua liberdade de expressão preservada: “Enfim, é o papel de vossas excelências, liberdade de expressão, assim como eu também estou no meu. E é difícil acreditar que parlamentares que defendem a liberdade de expressão falem que a liberdade vai até tal ponto. Depois, não pode mais. A imunidade parlamentar existe exatamente para abrigar esse tipo de coisa. Não apertei gatilho, não toquei fogo, eu não matei ninguém. Eu não fiz nada disso. Eu parlei. Somos parlamentares”, afirmou.

Eduardo ainda citou que a Constituição foi emendada em 2001 justamente para garantir que “quaisquer” opiniões, palavras e votos seriam garantidas aos parlamentares. “Vou lembrar aqui um fato curioso que apenas os mais antigos vão lembrar. Constituição, Artigo 53: os deputados e senadores são invioláveis, civil e penalmente por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. O quaisquer foi inserido através de uma emenda constitucional  em 2001. Porque, antes, o texto era o seguinte: os deputados e senadores são invioláveis civil e penalmente por suas opiniões, palavras e votos. Para que não existisse qualquer tipo de confusão ou celeuma, a emenda constitucional colocou a palavra quaisquer no texto. Mas, ainda assim, a gente vê aqui pessoas com problemas com as falas dos outros”, disse.

Tudo o que sabemos sobre:

AI-5Eduardo Bolsonaro