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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Educafro aciona MP contra Sérgio Camargo por crime de racismo

Equipe BR Político

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Após o presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo, classificar o movimento negro como “escória maldita”, que abriga “vagabundos”, e chamar Zumbi de “filho da puta que escravizava pretos”, conforme revelou o Estadão, a entidade Educafro (Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes) apresentou nesta quarta, 3, uma representação ao Ministério Público Federal (MPF) contra Camargo. Em outra frente, o Coletivo Mulheres de Axé do Distrito Federal prepara uma manifestação em Brasília na tarde de hoje para que ele seja exonerado do cargo.

Sérgio Camargo na Fundação Palmares

Sérgio Camargo na Fundação Palmares Foto: Facebook/Reprodução

Para a Educafro, Camargo estabeleceu critério “flagrantemente negativo às religiões de matriz africana”. Com isso, a entidade considera que ele incorreu no artigo 20 da Constituição que veda “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”, informa o Estadão. Camargo testa os limites da legalidade desde que entrou para a fundação.

“No entender da comunidade negra, Sérgio Camargo claramente comete crime de racismo, ao se referir de modo pejorativo a todos os praticantes de religião de matriz africana, bem como ao negar expressamente qualquer tipo de acesso e benefício futuramente requerido”, afirma o documento.

“Ao afirmar categoricamente que as religiões de matriz africana não irão receber ‘um centavo’ da Fundação, Sérgio Camargo incorre na discriminação odiosa, violando, de sobremodo o Estatuto da Igualdade Racial e a Constituição da República”, diz.

O advogado da ação, Irapuã Santana, afirmou que há “abuso da liberdade de expressão” por parte de Camargo, que acaba sendo veiculado ao crime. “Uma coisa é ele falar que não gosta das organizações negras, outra é ele ofender e fazer uma discriminação ao dizer que tenho esse dinheiro e não vou dar nunca aos terreiros. Isso está completamente vedado”, disse Irapuã à reportagem.