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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Eleição nas Redes: A disputa pelo eleitor bolsonarista em SP

Equipe BR Político

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* Marlos Ápyus, especial para o BRPolítico

Quando disputou a eleição presidencial em 2018, Jair Bolsonaro contou com a vantagem de disputar votos ideologicamente apenas com o desconhecido Cabo Daciolo. Na eleição municipal que se inicia, São Paulo vive uma situação bem distinta, com meia dúzia dos candidatos interessada no eleitor mais à direita.

Russomano é um dos candidatos que tenta conquistar o voto bolsonarista em São Paulo. Foto: Clayton de Souza/Estadão

Isso tem embolado o jogo nas redes sociais. Mesmo liderando a corrida no levantamento mais recente do Ibope, Celso Russomanno é alvo da desconfiança de uma parcela desse eleitorado mais conservador, seja pelo passado próximo ao PT ou pela capacidade de perder votos sob fogo inimigo — um fenômeno já observado em 2012 e 2016.

Arthur do Val sabe o peso que a polarização ganhou nas últimas temporadas e aposta todas as fichas em soar como o candidato mais polêmico, o que naturalmente garante espaço nos feeds de notícias — sem necessariamente garantir elogios.

Missão mais complicada é a de Joice Hasselmann, que almeja o voto bolsonarista um ano após ir às lágrimas na Câmara dos Deputados por obra do clã Bolsonaro. Mas uma vitória a deputada federal já garantiu: livrou-se de quilos extras que serviam de munição aos ataques mais abjetos das milícias virtuais.

Filipe Sabará integra o time de sete candidatos que, até o momento, não possuem mais do que 1% das intenções de voto. Nas redes sociais, o candidato do Novo chamou a atenção por citar Paulo Maluf como exemplo de bom prefeito paulistano — para a revolta de João Amoêdo, fundador do partido.

Mesmo Márcio França, socialista que por 742 mil votos não reelegeu-se governador de São Paulo, sonha com o voto bolsonarista, ou do eleitor que abraçou o “Bolsodoria” em 2018, mas hoje se sente traído por João Doria.

Com a atenção do público dividida entre tantas opções, sobra espaço até para Levy Fidelix se destacar. Apesar de amargar a décima posição na pesquisa Ibope, vem conseguindo engajamento no Twitter, principalmente em memes — na mesma “categoria”, Daciolo teve mais votos que Henrique Meirelles, Marina Silva, Álvaro Dias e Guilherme Boulos em 2018, não custa lembrar.

Pela terceira eleição seguida, Russomanno desponta como a aposta mais segura para um eventual segundo turno. E o apoio de Bolsonaro, acreditam os comitês de campanha, pode definir um piso alto para o deputado federal. Mas muitos candidatos disputando uma mesma fatia do eleitorado não costuma ser bom negócio para os envolvidos.

O PSDB, por exemplo, padeceu desse mal nas duas únicas vezes em que ficou de fora do segundo turno das disputas presidenciais. Em 1989 e 2018, no entanto, o fenômeno se observou ao centro. Na São Paulo de 2020, é um fenômeno de direita. Resta conferir se, nas urnas, resultará no mesmo efeito.

* O jornalista Marlus Ápyus (@apyus no Twitter) vai assinar a coluna Eleições nas Redes durante a cobertura da campanha eleitoral no BRPolítico