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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Eleição nas Redes: Em São Paulo, Bolsonaro escolhe um adversário para o segundo turno

Marlos Ápyus

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Se a militância bolsonarista parecia dividida no endosso à candidatura de Celso Russomanno, com boa parte dos militantes apostando em Levy Fidelix como uma alternativa melhor para a prefeitura de São Paulo, as milícias digitais se reencontraram na repulsa ao nome Guilherme Boulos. O psolista foi agraciado com mídia espontânea no que a Polícia Federal procurou os advogados do candidato para esclarecimentos sobre críticas ao presidente da República nas redes sociais. Na leitura de Boulos, Bolsonaro quer evitar o crescimento do adversário, intimidando-o com o auxílio de André Mendonça, ministro da Justiça.

Mas seria isso mesmo?

Nos cenários de segundo turno da pesquisa Exame/Ideia, Russomanno surge 6 pontos percentuais atrás de Bruno Covas, quatro pontos atrás de Márcio França, mas 13 à frente de Boulos. A dinâmica lembra a de 2018, quando Fernando Haddad despontava nas simulações de segundo turno como a opção que menos força teria contra Bolsonaro. De tal forma que os mais influentes bolsonaristas aproveitaram o primeiro turno para aniquilarem as chances de Ciro GomesGeraldo AlckminJoão Amoêdo e Marina Silva. E contaram com a conivência da campanha petista, que também tinha em Bolsonaro a melhor chance na etapa final, e por isso se focou no “Lula Livre”, deixando o “Ele Não” em segundo ou terceiro plano.

Agora, a lógica é um pouco distinta. A imprensa já havia destacado que, pelo mais recente Datafolha, a intenção de votos no candidato do PSOL dobrava junto aos eleitores que rejeitam o sobrenome Bolsonaro. O mesmo levantamento percebeu ainda que quase dois terços dos paulistanos se negariam a votar em alguém apoiado pelo presidente da República. De onde se conclui que um ação da PF contra críticas a uma figura tão controversa há de, na maior cidade do país, politicamente beneficiar o alvo.

As três décadas em que atuou no legislativo devem ter dado a Bolsonaro ao menos a noção de que o apoio às próprias ideias possui um teto baixo. Mas a reeleição de Dilma Rousseff em 2014 e a eleição de Donald Trump em 2016 provaram que altas rejeições podem vencer eleições majoritárias caso a opinião pública rejeite ainda mais a alternativa que restou. E, até o momento, São Paulo não parece ter dúvidas do que seria pior num segundo turno entre Russomanno e Boulos.