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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Eleição nas Redes: No Rio, uma reprise da polarização paulistana

Marlos Ápyus

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Divulgadas na manhã de ontem, as simulações de segundo turno da consultoria Ideia Big Data mostram que Marcelo Crivella (Republicanos) perderia para Eduardo Paes (DEM), empataria na margem de erro com Martha Rocha, mas venceria Benedita da Silva com uma folga de 11 pontos percentuais. Ainda ontem, mas à noite, chegou ao noticiário que a candidata do PT havia sido retirada da lista de Personalidades Negras da Fundação Palmares. E Sérgio Camargo, o controverso presidente da instituição, jogou hoje lenha na fogueira ao garantir nas redes sociais que acionaria os advogados por ter sido chamado de “Capitão do Mato” pela petista.

Dinâmica semelhante foi observada recentemente em São Paulo, onde Guilherme Boulos (PSOL) despontou com chances contra Celso Russomanno (Republicanos) em simulações de segundo turno, e logo se viu nas manchetes como alvo da Polícia Federal.

Bolsonaro evita se colocar publicamente, pois a rejeição ao próprio nome segue alta nas regiões onde o auxílio emergencial teve menos impacto. Mas não há de causar espanto a afirmação de que os candidatos do presidente da República nas maiores cidades do País são, respectivamente, Russomanno e Crivella.

Em 2014, João Santana provou ser possível vencer uma disputa eleitoral com um candidato altamente rejeitado. Para tanto, era necessário que o eleitor rejeitasse ainda mais a alternativa imposta pela urna no segundo turno. Desta forma, retirar Marina Silva precocemente da corrida foi fundamental para a reeleição de Dilma Rousseff.

Na eleição presidencial de 2018, o temor de uma vitória do PT era a todo tempo alimentado para que eleitores de centro migrassem a uma opção mais à direita. Agora, em 2020, a iniciativa da Fundação Palmares serviu primeiro para dar mais visibilidade ao nome de Benedita, em destaque nas manchetes de alguns dos maiores portais do País, e nas postagens indignadas de influenciadores digitais. Em um eventual crescimento da petista nas pesquisas, não seria estranho Crivella encampar discurso semelhante.