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por Marcelo de Moraes

Eleições na Rede: Twitter adota passos adicionais

Marlos Ápyus

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Após um punhado de eleições em que foram criticadas pela omissão, as principais redes sociais em atividade no Brasil e nos Estados Unidos têm aproveitado o conturbado 2020 para se anteciparem à má-fé de alguns usuários. Por aqui, o TikTok firmou uma parceria com o TSE para o combate à desinformação, o Facebook disponibilizou uma ferramenta para monitoramento dos gastos com impulsionamento de conteúdo político, e o Instagram vem se permitindo rotular como “fake news” até mesmo postagens do presidente da República.

Foto: AP/Matt Rourke

Nos Estados Unidos, o Twitter adotou o que chamou de “passos adicionais” para a disputa que definirá o próximo morador da Casa Branca. No ano passado, a rede já havia proibido o impulsionamento pago de propaganda política. Agora, alertando que não aceitará ser usada para “manipular ou interferir nas eleições“, a rede ampliou o que chama de Política de Integridade Cívica — no intuito de combater as tentativas de ludibriar a opinião pública.

Em iniciativa que parece antever os próximos passos de Donald Trump, candidato que vem colocando em dúvida a lisura do processo eleitoral, o serviço promete sinalizar tweets que falsamente declarem a vitória de qualquer concorrente. Pelas novas regras, tal anúncio precisará partir de autoridades oficiais, ou de “projeção de notoriedade pública por pelo menos dois veículos de imprensa de abrangência nacional“. Também não serão toleradas postagens que incentivem violência ou convidem a “interferir nos resultados das eleições ou no bom funcionamento dos locais de votação“.

Sempre que um tweet é sinalizado como enganoso, o próprio algoritmo já reduz o alcance da publicação. Agora, o conteúdo penalizado só poderá ser conferido após o visitante clicar em um alerta. E, como opção de engajamento, haverá apenas o compartilhamento com acréscimo de comentário — os recursos para curtir, comentar ou meramente compartilhar ficarão desabilitados.

A mudança atinge perfis americanos com mais de 100 mil seguidores, ou qualquer tweet que atinja engajamento significativo. Mas uma mudança a ser implementada lá fora tem sido, antes, testada no Brasil. Desde o início do mês, os brasileiros são estimulados a, na versão web, acrescentarem um comentário antes do compartilhamento de qualquer mensagem. Questionado pelo BR Político, o Twitter explicou que, “caso o teste traga impactos positivos, será expandido globalmente a partir do dia 20 de outubro, para versão web, iOS e Android, durante as eleições nos Estados Unidos“. A depender do resultado, “essa função poderá permanecer ativada apenas no Brasil até o término das eleições locais, em 29 de novembro“.

Controvérsia

Há, no entanto, quem perceba exageros em tanta proatividade. Na semana passada, o Facebook reduziu a distribuição de uma controversa matéria do New York Post negativa à imagem de Joe Biden. O Twitter foi além, e simplesmente passou a impedir que o link fosse compartilhado mesmo na troca privada de mensagens.

Pelas justificativas dadas, como a de que o artigo fazia uso de imagens vazadas que incluíam “informações pessoais e privadas, como endereços de e-mail e números de telefone“, muitas matérias jornalísticas, como a cobertura do conteúdo heckeado dos celulares de integrantes da operação Lava Jato, ou dos documentos vazados pelo Wikileaks, poderiam sofrer bloqueio semelhante. Como bônus, o Twitter não fez uso de uma verificação independente. Em outras palavras, passou por conta própria a analisar não só o comportamento dos usuários, mas também o teor do conteúdo.

Críticos viram na iniciativa uma forma de realinhar a marca ao que, apontam todas as pesquisas, será a próxima força a comandar os Estados Unidos. Do outro lado, analistas entendiam que, por se tratar de uma empresa privada, não havia como carimbar de “censura privada” o ocorrido. De certa forma, concordavam que o Twitter seria “apenas um dos muitos lugares onde as pessoas podem encontrar informações online“.

Ao fim, os críticos venceram, com a rede anunciando que só voltará a punir conteúdo compartilhado pelos próprios hackers, ou por quem agir em parceria com os invasores. Quanto aos links problemáticos, não mais serão bloqueados, mas apenas sinalizados como tais. Para Vijaya Gadde, “a moderação de conteúdo é incrivelmente difícil, especialmente no contexto crítico de uma eleição”. A chefe do time que define as políticas de uso do Twitter garante que busca evitar danos com rapidez e responsabilidade, mas reconhece ainda estar “aprendendo ao longo do caminho”. 

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