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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Eleições nas Redes: A corrida presidencial nas eleições municipais

Marlos Ápyus

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É comum que políticos brasileiros usem as eleições municipais como uma ensaio para as eleições gerais. E a agenda ideológica de muitas candidaturas leva à suspeita de que, agora em 2020, o fenômeno está se repetindo.

entrada oficial de Jair Bolsonaro na campanha de Celso Russomanno, por exemplo, agitou uma militância que, em São Paulo, vinha se dividindo entre opções menos competitivas. Há dois anos, no que endossou alguns nomes nas principais praças, por força do quociente eleitoral, o atual presidente da República proporcionou um tsunami eleitoral nas urnas.

Para a disputas de 2020, há o desgaste de dois anos de mandato à frente de uma gestão que deu às costas a uma importante fatia do discurso que a elegeu. Mas, ao menos no Facebook, Bolsonaro continua sendo o presidenciável que mais satélites atrai à própria órbita.

Uma visita à biblioteca de anúncios do Facebook confirma que, nos dez primeiros dias de campanha na internet, a rede foi utilizada para impulsionar 460 anúncios com citações textuais a “Jair Bolsonaro”. Desses, exatos 83 seguiam ativos neste 6 de outubro.

Dentre os nomes testados precocemente por institutos de pesquisa para a eleição presidencial de 2022, Lula é quem mais se aproxima do feito, com 59 anúncios, 15 deles ainda ativo. Na sequência vem João Doria (21) Flávio Dino (16) e Ciro Gomes (13), mas só este último continua com mais de uma peça ainda em exibição — no caso, quatro.

Marina Silva, Luiz Henrique Mandetta e Sergio Moro foram citados em menos de dez anúncios cada, sem qualquer criativo em atividade no momento.

É curioso, no entanto, o caso de Fernando Haddad. Na biblioteca não aparece uma única menção ao nome que, no segundo turno de 2018, somou mais de 47 milhões de votos como alternativa a Bolsonaro.

De uma maneira geral, as menções aos citados são positivas, quase sempre da parte de candidatos a câmaras municipais que conseguiram uma foto com os “ídolos” a tempo da campanha. Mas, claro, há o ataque frontal de quem assume um discurso de oposição, e algumas citações aleatórias da parte de pequenos veículos que apenas tentam ampliar o alcance de alguma notícia.