Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Marcelo de Moraes

Eleições nas Redes: A web ajuda, mas não faz milagre sozinha

Marlos Ápyus

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Por motivos óbvios, a imprensa ficou mais atenta ao bom trabalho desenvolvido por Guilherme Boulos na web. Mas, nessa eleição, o candidato do PSOL à prefeitura de São Paulo não foi o único de esquerda a merecer elogios pela conduta nas redes sociais. Edmilson Rodrigues, Sarto, Marilia Arraes e Manuel D’Ávilla também atuaram com um alcance que, há até bem pouco tempo, parecia exclusividade de políticos mais à direita.

Todos os citados terminaram o segundo turno com mais de 40% dos votos válidos, o que não pode ser carimbado de fracasso. Mas apenas Edmilson e Sarto assumirão prefeituras em janeiro. Ambos conseguiram formar frentes amplas —ou, ao menos, esquerdista— ainda em primeiro turno.

Em Fortaleza, Sarto liderava uma coligação de dez partidos que garantiu 4 minutos diários de programa eleitoral no rádio e na TV. Formada por PSOL, PT, PDT, Rede, PCdoB e UP, a coligação de Edmilson garantiu em Belém que o candidato falasse diariamente por dois minutos no horário eleitoral. Em São Paulo, por exemplo, Boulos tinha apenas 18 segundos.

É preciso também alinhar melhor os interesses das campanhas com o comportamento dos eleitores mais engajados. Isso ficou muito claro em São Paulo. De um lado, Boulos falava em virar votos para que a esperança vencesse o ódio. Do outro, os próprios militantes não escondiam nas redes sociais o ódio que sentiam de quem não mostrava disposição para votar em Boulos.

Ao menos a postura diante da derrota tem sido a de que os candidatos combateram o bom combate, o que está próximo da verdade. Mas não falta influenciador pesando a mão contra o eleitorado que precisa ser conquistado para que as derrotas não se repitam num futuro próximo.

Do outro lado, nota-se um esforço bolsonarista em renegar o sucesso da dupla Bruno Covas e João Doria, afirmando que o paulistano não votou no PSDB, mas contra uma liderança do MTST. Curiosamente, algo do tipo foi dito há dois anos contra a gigantesca votação de Jair Bolsonaro, interpretada por muitos analistas como uma onda meramente antipetista.

Trata-se do velho duelo de narrativas que deveria encontrar um fim com a fala das urnas. Mas, na era da pós-verdade, ganha sobrevida mesmo após a proclamação dos resultados.

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