Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Marcelo de Moraes

Eleições nas Redes: A web sabe o que os candidatos fizeram no verão passado

Marlos Ápyus

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Líder na corrida pela prefeitura de Fortaleza, o Capitão Wagner vem negando que tenha participado do motim policial que fez o Ceará, com 312 homicídios durante a paralisação, viver em 2020 o fevereiro mais letal em 7 anos. Segundo Camilo Santana, o candidato “tanto liderou o motim de 2011, como teve participação direta nesse último”. Caso o testemunho do governador não conveça, as redes sociais já resgataram vídeos do verão passado.

Inferno semelhante vive do Delegado Francischini, que não esconde o interesse no eleitor bolsonarista de Curitiba, mas a todo tempo é destacado que o próprio filho, o deputado federal Felipe Francischini, ficou ao lado de Luciano Bivar na briga que dividiu o PSL em 2019. Até Jair Bolsonaro se pronunciou sobre o caso.

A internet não esquece” é uma das muitas máximas que se popularizaram na web. Ao ponto de, em 2014, a União Europeia sancionar o “direito aos esquecimento”, ou o direito de exigir que as grandes empresas de tecnologia apaguem informações inadequadas ou impertinentes dos bancos de dados. O que não se aplica aos casos aqui rememorados. Nem impede os candidatos de serem atormentados por fantasmas dos natais passados.

Em São Paulo, Guilherme Boulos tem recorrido à munição que fez Celso Russomanno desidratar na disputa de 2016. O deputado federal, inclusive, é a todo tempo cobrado por reportagens sensacionalistas em que constrange caixas de supermercado. Como último recurso, cabe até resgatar tweets em que Eduardo Cunha, anos antes de ser preso, zoava a fama do preferido de Bolsonaro na eleição de 2020.

No Rio, Eduardo Paes sofre com a lembrança do grampo em que, numa conversa descontraída com Lula, chama o pequeno município de “Maricá” de “merda de lugar“. Marcelo Crivella, por sua vez, precisa lidar com promessas de 2008 não cumpridas. E Benedita da Silva, com um bloqueio de bens da Justiça — compartilhado como se fosse novidade, mesmo com a notícia datando de 2015.

Contra a liderança de João Campos na disputa pela prefeitura de Recife, os críticos recorrem ao apoio dado pelo filho de Eduardo Campos a Aécio Neves na eleição presidencial de 2014 . Contra o visual mais conservador adotado por Manuela d’Ávilla na briga pela prefeitura de Porto Alegre, vale até mesmo uma postagem de 2011, quando a então deputada federal foi generosa nos elogios ao controverso Che Guevara.

A maioria dos nomes citados mais acima lidera as pesquisas nas maiores capitais do país. Se tanta incoerência subtrairá votos suficientes, só o tempo dirá. Mas certamente uma postura mais coerente facilitaria a vida de qualquer candidato. Ou, ao menos, dificultaria a vida dos adversários.