Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Marcelo de Moraes

Eleições nas Redes: As dúvidas dos eleitores nos motores de busca

Marlos Ápyus

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Se as redes sociais se dão ao desafio de tentar adivinhar o que os usuários querem consumir, os motores de busca lidam com uma lógica mais certeira, uma vez que respondem a pesquisas realizadas por cada visitante. Por isso, ferramentas como o Google Trends desenham cenários mais confiáveis que o de hashtags que tão facilmente reagem à ação coordenada de militantes .

No intervalo de 17 e 23 de novembro, por exemplo, para cada paulistano que pesquisou pelo nome de Bruno Covas, dois pesquisaram pelo nome de Guilherme Boulos. No geral, com dúvidas sobre a qual partido pertencem, onde moram e o que já fizeram por São Paulo. Contudo, com algumas diferenças. Na medida em que tentavam descobrir quem era o candidato do PSOL, buscavam mais detalhes sobre quem seria o vice do candidato do PSDB.

No Rio de Janeiro, as perguntas se assemelham. Mas destaca-se um interesse pelos processos aos quais Eduardo Paes responde, e pelas promessas cumpridas da parte de Marcelo Crivella. Há ainda uma curiosa dúvida sobre qual dos dois teria começado a cobrar o IPTU na cidade — o imposto vem sendo arrecadado desde antes de o Brasil se tornar independente de Portugal.

A exemplo de Paes, há em Fortaleza interesse pelos processos de Sarto, mas também sobre como o Capitão Wagner se posicionou a respeito do auxílio emergencial. Em Manaus, a população local quer saber o que Amazonino e David Almeida fizeram respectivamente como senador e governador interino.

O PT lidera com folga o ranking de partidos pesquisados junto ao termo “candidato/candidata”. PSOL e PSDB completam o pódio. E quatro siglas dividem a quarta posição: PSL, PDT, PSB e Novo.

Por mais que as redes sociais carreguem nos debates ideológicos, o Google percebe um interesse maior em temas mais tradicionais, como saúde e educação. Especificamente sobre o segundo turno, há bastante dúvida sobre se é possível votar mesmo sem ter votado em 15 de novembro. Nos últimos sete dias, houve ainda um súbito interesse por “coronelismo”.

O próprio serviço alerta que não pode ser entendido como um indicativo de intenção de voto. Tanto que, se dependesse do volume de buscas no primeiro turno, Martha Rocha ainda teria chances de se tornar prefeita do Rio de Janeiro, e Jair Bolsonaro teria o que comemorar em São Paulo, já que “o partido de Bolsonaro” foi o mais pesquisado na véspera da votação. Mas o Google Trends já foi útil para se perceber ondas de votos em candidatos com menos estrutura, como Romeu Zema e Wilson Witzel em 2018, ou mesmo a boa votação de Boulos no primeiro turno de 2020. E serve também para confirmar que algumas estratégias, como a de lançar dúvidas sobre o vice de Covas, de fato impactam o eleitor.

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