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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Eleições nas Redes: Bolsonaristas entre teorias conspiratórias e Crivella

Marlos Ápyus

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Com mais um fracasso de Celso Russomanno em São Paulo, a militância bolsonarista mal tem se pronunciado sobre o segundo turno na capital paulista. No máximo, pesam nas críticas a Guilherme Boulos, mas sem impedir que o candidato do PSOL paute sozinho o debate — ainda que com críticas viralizantes às próprias ideias.

Em paralelo, tentam emplacar teorias conspiratórias que expliquem as derrotas do domingo passado. Na mais recente, Otávio Fakhoury, um dos investigados no STF pela suspeita de financiar atos antidemocráticos, espalha no Twitter que a eleição em São Paulo teria sido manipulada pelo software utilizado na apuração — o que segue carecendo de provas que vão além da impressão de um engenheiro anônimo.

Percebe-se algum interesse na disputa de Fortaleza, uma vez que o Capitão Wagner mira o voto bolsonarista. Mas a distância segura que o candidato vem preferindo manter de Jair Bolsonaro impõe limites ao engajamento. Diferente do Rio de Janeiro, onde Marcelo Crivella reforça o interesse no apoio presidencial ao ponto de se exceder contra João Doria, ou o principal adversário do Palácio do Planalto.

A fala grotesca, na qual o prefeito do Rio xinga o governador de São Paulo de “viado” e “vagabundo”, animou as milícias digitais bolsonaristas, que a replicaram sem economia, por vezes, endossando a homofobia dos termos escolhidos. O que facilita o endosso do PT à candidatura de Eduardo Paes, representante do mesmo DEM que, há uma década, Lula dizia ser necessário “extirpar da política brasileira“.

A animação, no entanto, soa mais um movimento desnecessariamente arriscado. De acordo com o Ibope, Eduardo Paes lidera o segundo turno com 30 pontos percentuais de vantagem, ou mais do que o dobro da intenção de votos em Crivella. Uma virada dessa magnitude em intervalo tão curto seria comparável a um milagre.

Trocando em miúdos, são boas as chances de que os bolsonaristas precisem garimpar novas teorias conspiratórias que expliquem o que, apontam as pesquisas, ocorrerá no próximo 29 de novembro.