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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Eleições nas Redes: Boulos correndo praticamente só

Marlos Ápyus

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Uma generosa coligação com 11 partidos permitiu a Bruno Covas diariamente falar por 3 minutos e 33 segundos no horário eleitoral. Com apenas 17 segundos de “tempo de TV”, Guilherme Boulos precisou se virar com a internet, que mais uma vez se mostrou capaz de levar candidaturas menores ao segundo turno.

Na etapa final, contudo, a vantagem de Covas se desfaz. Por sete dias consecutivos, os candidatos dividirão igualmente um total de 45 minutos diários de propaganda diante da gigantesca audiência da televisão. Na web, por sua vez, Boulos segue pautando o debate como se nem tivesse adversário.

Enquanto Covas conta com menos de 500 mil seguidores em cinco das redes sociais mais usadas no país, Boulos já fala para 3,8 milhões, um público oito vezes maior. No terceiro dia de segundo turno, a página do candidato do PSOL acumula 3,2 milhões de engajamentos semanais no Facebook, enquanto a do tucano mal passa das 200 mil interações. O líder do MTST leva vantagem inclusive no valor pago por impulsionamento nas redes de Mark Zuckerbeg, com um investimento 16% superior ao do adversário.

Mesmo no Google Trends, que capturou um interesse maior em Covas no dia de votação, a disputa já se igualou — ao se considerar os últimos sete dias, o que é impactado ainda pela reta final do primeiro turno.

O psolista está à frente até quando se trata de um fator negativo. De acordo com o Radar aos Fatos, que monitora a desinformação que se espalha em serviços como WhatsApp, YouTube e Twitter, em 9 mil publicações de baixa qualidade sobre a eleição municipal de São Paulo, o sobrenome Boulos foi citado 6,5 mil de vezes, enquanto o sobrenome Covas surgia “apenas” 2,8 mil de vezes.

No que mais interessa, as pesquisas, o nome do PSDB segue liderando com uma folga confortável. Mas o contexto, mesmo numa etapa final mais curta, não permite que uma virada seja descartada. Principalmente porque a abstenção está acima da média. E o temor de uma segunda onda de casos de covid-19 já ocupa algumas manchetes, o que poder forçar um novo fechamento do comércio que abalaria a popularidade do atual prefeito.