Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Eleições nas Redes: Duelo de desinformação e direitos de resposta em São Paulo

Marlos Ápyus

Exclusivo para assinantes

Desde que Celso Russomanno atacou Guilherme Boulos com uma notícia sensacionalista publicada durante o debate com os candidatos à prefeitura de São Paulo, o Bot Sentinel, serviço que monitora o comportamento inadequado de alguns perfis no Twitter, disparou uma dezena de alertas de que uma ação orquestrada tentava ampliar o alcance da hashtag #laranjaldoboulos. Recentemente, o candidato de Jair Bolsonaro se aproximou de influenciadores bolsonaristas que espalham todo tipo de desinformação nas redes.

A campanha de Boulos já havia acionado a Justiça por, em vídeo publicado nas redes sociais, Russomanno afirmar que o adversário teria cobrado aluguel de moradores sem teto que ocupavam o Wilton Paes de Almeida, edifício consumido por um incêndio em 2018. Ontem, o deputado federal precisou publicar um direito de resposta no Facebook e no Instagram desmentindo a “fake news”.

Mas não foi a única vez. Também ontem, Russomanno precisou publicar outro direito de resposta, mas da campanha de Bruno Covas, que se viu prejudicado por uma imagem de uma gestão petista compartilhada como se registrasse o trabalho tucano em São Paulo. Antes, Russomanno havia falsamente alardeado que o Procon local teria fechado.

 

Na TV, Boulos também conseguiu que Russomanno veiculasse uma peça em que Cleide, caixa de supermercado alvo de matéria controversa do deputado, desmentia que recebera dinheiro da campanha do PSOL.

O jogo, contudo, é lá e cá. Boulos foi obrigado pela Justiça a desmentir que Russomanno havia dado um calote em funcionários de uma empresa da qual fora proprietário. O candidato do PSOL também precisou abrir espaço para Russomanno desmentir que votara a favor da redução do auxílio emergencial, para negar que odeia pobres, ou mesmo para meramente reclamar de ofensas nas redes sociais.

É atribuída a Hiram Johnson, senador republicano que legislou nos Estados Unidos entre 1917 e 1945, a máxima de que, numa guerra, a primeira vítima é sempre a verdade. E o incômodo volume de desinformação que a Justiça Eleitoral vem punindo nas últimas semanas reflete bem o clima tenso da reta final dessa eleição.