Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Eleições nas Redes: Eles não

Marlos Ápyus

Exclusivo para assinantes

Na eleição de 2018, uma gigantesca manifestação convocada por lideranças feministas tentou formar o que hoje poderia ser chamado de “frente ampla” contra Jair Bolsonaro. Batizada de “#EleNão”, serviu para dar um impulso final à candidatura de Fernando Haddad, o que não necessariamente desmente o caráter apartidário que o movimento alegava ter.

Passados dois anos, a presença da covid-19 impede a realização de atos semelhantes nas eleições municipais. Todavia, nas redes sociais, a ideia de trabalhar uma espécie de boicote a um determinado “inimigo” segue presente, mesmo não sendo mais uma exclusividade de quaisquer dos polos ideológicos.

Em São Paulo, o grande alvo é Bruno Covas, líder nas pesquisas rejeitado principalmente pela ligação com João Doria. O governador não é bem quisto pela direita bolsonarista, que o encara como um traidor, nem pela esquerda tradicional, que vê no tucano um nome que fez questão de se associar ao sobrenome Bolsonaro justamente quando as ruas da cidade gritavam que “ele, não”.

Mas Arthur do Val é também alvo de protestos pela ligação com o Movimento Brasil Livre. Joice Hasselmann, por também ter rompido com a ala bolsonartista do PSL. E Celso Russomanno, por buscar o apoio do presidente numa época em que o mandatório da nação dificulta até mesmo a produção de uma vacina a ser primeiro aplicada no estado de São Paulo.

Há, contudo, como contornar a dificuldade, como fez Guilherme Boulos. O candidato do PSOL resolveu não só encarar quem se negava a votar em uma liderança do MTST, como transformou o confronto em uma conversa amigável.

O fenômeno não se limita a São Paulo. No Rio, não falta influenciador que implore para que candidatos como Eduardo Paes, Marcelo Crivella e até Carlos Bolsonaro, que tenta renovar o mandato como vereador, sejam ignorados pelas urnas. Em Belo Horizonte, há quem pregue pelo “não voto” a Alexandre Kalil mesmo diante da quase certeza de que o atual prefeito conseguirá renovar o mandato já neste domingo.

 

Em Fortaleza, pela participação em um motim policial no início do ano, há reclames parecidos contra o Capitão Wagner. Em São Luís, uma fala do governador Flávio Dino foi usada como prova de que Eduardo Braide era o nome a ser evitado.

Como se percebe, as queixas nem sempre surtem efeito. Braide, por exemplo, corre risco de ser eleito em turno único. E mesmo o comparecimento alto do #EleNão, ainda em 2018, teria findado em um rebote que renderia um fôlego final à candidatura de Bolsonaro.

Mas a manifestação contrária à candidatura de alguém, além de fortalecer a polarização que beneficia as chapas mais ideológicas, costuma render um engajamento acima da média. E isso pode ser importante para formar uma base sólida para eleições futuras.

Tudo o que sabemos sobre:

redes sociaiseleições 2020polarização