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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Eleições nas Redes: Em São Paulo, adversários colocam Bruno Covas no centro dos ataques

Marlos Ápyus

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Na última pesquisa Ibope a respeito da disputa pela prefeitura de São Paulo, a diferença entre Celso Russomanno e Bruno Covas, os dois primeiros colocados, caiu de 5 para 3 pontos percentuais. Também oscilou de 13 para 12 pontos a distância entre Guilherme Boulos e uma vaga no segundo turno.

O que mais chamou atenção, no entanto, foi outro aspecto muito valioso aos marqueteiros. Dono do maior tempo de rádio e TV desta campanha, o atual prefeito viu a própria rejeição desabar de 31% para 23% após o início da propaganda eleitoral. É um sinal de que a estratégia do candidato tem funcionado, o que há de explicar o “todos contra Covas” que se observa nas redes sociais desde então.

Se Russomanno se esforça mais em associar a própria imagem à de Jair Bolsonaro, os bolsonaristas não são econômicos nas críticas ao candidato tucano. Reclamam que o prefeito fechou o comércio durante a pandemia, que pretende obrigar a população a se vacinar contra o novo coronavírus e, numa estratégia já usada por Bolsonaro, garantem que a vitória do deputado federal virá ainda em primeiro turno — algo que não se concretizou em 2018, mas serve até hoje para colocar em dúvida a credibilidade das urnas eletrônicas.

Há também quem espalhe o boato já desmentido de que a prefeitura de São Paulo havia comprado 38 mil caixões sem licitação. Ou mesmo quem simplesmente faça uso de um raivoso leque de palavrões contra o eleitor simpático à reeleição, o que não costuma virar votos, mas tende a silenciar quem busque se manifestar nesse sentido.

No PSOL, há a preferência por notícias mais recentes, ainda que o fato seja antigo. Começando pelo próprio Boulos, que destacou aos seguidores que o vereador Ricardo Nunes, acusado em 2011 de violência doméstica pela própria esposa, é hoje o vice de Covas.

Márcio França, que almeja o voto do bolsonarista descontente com o governador de São Paulo, segue apostando na associação de Covas com João Doria, candidato que derrotou o ex-governador na dura disputa de 2018.

Até Jilmar Tatto, que tem o que celebrar nos 4% das intenções de voto atingidos no último Ibope, ciente de que precisará do eleitor do PSOL em uma eventual virada para cima de Boulos, tem dedicado críticas ao atual prefeito, algo que revive o tradicional PT x PSDB que polarizou o Brasil por duas décadas.

No bombardeio, sobra espaço até para críticas ao “divorciado” que, no Instagram de Covas, antecede o anúncio da paternidade “do Tomás”. Mas, se a expressão de fato permite toda uma leva de interpretações, ao menos evita que uma candidatura adversária questione na TV se o prefeito que almeja a reeleição é casado ou tem filhos — um filme que a maior cidade do país já viu.

Screenshot do Instagram de Bruno Covas em 19 de outubro de 2020.

Screenshot do Instagram de Bruno Covas em 19 de outubro de 2020.