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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Eleições nas Redes: Em São Paulo, “guerra civil” esquerdista

Marlos Ápyus

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Desde o início dessa eleição, Guilherme Boulos vem trabalhando uma elogiada versão “paz & amor” de si mesmo. Mais sorridente e disposto ao diálogo, abria mão de confrontos para produzir peças de propaganda que facilmente viralizavam nas redes sociais. Desde ontem, contudo, o candidato do PSOL já usou os próprios perfis para vários ataques a Márcio França.

Segundo Boulos, o adversário do PSB não seria uma boa opção de voto pelo passado de apoio a Geraldo Alckmin e João Doria, por ser supostamente tão tucano quanto Bruno Covas, e por ter sido vice-governador de São Paulo quando estouraram os escândalos das máfias da merenda e dos transportes.

A tática se choca com a desejo de França, que, mesmo em um partido de esquerda, almeja o voto do bolsonarista que rejeita Doria. Para tanto, o peessebista aposta na lembrança dos duros debates que o atual e o ex governador protagonizaram na campanha de 2018.

Não é de hoje que Boulos entra em rota de colisão com França, mas o foco no conflito sucede a divulgação da quarta rodada da pesquisa Datafolha, que confirmou o derretimento de Celso Russomanno, mas acrescentou o candidato do PSB ao trio que, com o candidato do PSOL, tem chances reais de conquistar a segunda vaga no segundo turno.

Nos Estados Unidos, a força de Joe Biden na disputa pela Casa Branca nasceu de uma decisão pragmática da esquerda americana, que colocou diferenças de lado em benefício de uma candidatura com mais capacidade para a costura de apoios.

O que se observa em São Paulo, foco de poder da esquerda nacional, indica que missão semelhante no Brasil enfrentaria muita dificuldade. Flávio Dino, governador do Maranhão que sonha com vitórias além das fronteiras estaduais, percebeu o desafio.

Em Belém do Pará, há uma “frente ampla” de esquerda em atividade. Encabeçada por Edmilson Rodrigues, do PSOL, lidera com o dobro da intenção de votos do segundo colocado a corrida pelo comando da capital.

Em São Paulo, as quatro siglas de esquerda mais relevantes somam um terço das intenções de voto. Não chegam ainda à maioria simples do eleitorado. Mas seria voto suficiente para liderar o primeiro turno, e serenar ânimos.