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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Eleições nas Redes: Esquerdistas discutem voto ideologicamente casado

Marlos Ápyus

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Em 2016, Fernando Haddad surgiu no primeiro Datafolha dois pontos percentuais atrás de Luiza Erundina, candidata que disputava a prefeitura de São Paulo pelo PSOL. Mas, apesar da amarga derrota para João Doria em primeiro turno, o então prefeito conseguiria na reta final manter o PT como a principal força esquerdista de São Paulo.

Passados quatro anos, enquanto Guilherme Boulos surgia seguidamente em terceiro lugar nas mais variadas pesquisas, o desconhecido Jilmar Tatto levava o PT a patinar entre 1% e 3% das intenções de voto. Como bônus, o psolista se destaca nas redes sociais, vindo a liderar com folga o volume de engajamentos no Twitter, de acordo com monitoramento da Diretoria de Análises de Políticas Públicas da FGV.

A falta de brilho do petismo em São Paulo tem levado a militância a publicamente discutir se as agremiações de esquerda não deveriam topar um pacto verbalizado pelo ex-senador Lindbergh Farias: o PSOL carioca abriria mão da candidatura em benefício de Benedita da Silva enquanto o PT de São Paulo faria o mesmo por Boulos. Houve até quem sugerisse a inclusão de Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Fortaleza num grande acordo nacional, com o PCdoB, com tudo.

Nas redes sociais, a ideia teve uma boa recepção, foi replicada, conquistou alguns endossos de peso, e gerou engajamentos acima da média. Nos bastidores, dividiu opiniões, com parte achando a proposta descabida, e outra parte discutindo até mesmo um prazo para Tatto mostrar a que veio.

Hoje, uma pesquisa do RealTime Big Data calculou que o petista teria 4% das intenções de voto, um patamar que continua baixo, mas já é um empate com Boulos nos limites das margens de erro de 3 pontos percentuais. Minutos antes da divulgação, Gleisi Hoffmann usou a condição de presidente do PT para desmentir qualquer articulação.

As centenas de respostas a posicionamento tão contundente levam à sensação de que proposta de união pode facilmente se converter numa guerra civil ideológica.