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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Eleições nas Redes: No Twitter, Trump acumula 8 penalizações em 2 dias

Marlos Ápyus

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No último 3 de novembro, exatamente às 20h15 do horário de Brasília, Donald Trump agradeceu no Twitter o empenho dos eleitores, e garantiu que a própria campanha tinha ido bem por todo o país. Já se aproximava das 3h da madrugada seguinte quando o presidente americano prometeu fazer uma declaração sobre o que chamou de “grande vitória”.

Desde então, Trump publicou 21 mensagens. Mas oito delas seriam contestadas pela própria rede, que desativando a possibilidade de curtidas e comentários, ou mesmo de compartilhamentos simples, e condicionando a leitura do conteúdo a um segundo clique, sempre sob o alerta de que informações incorretas viriam na sequência.

Nada disso deveria surpreender o candidato à reeleição, já que o Twitter deixou claro, ainda no 9 de outubro, que não toleraria o uso da própria estrutura para tumultuar o processo eleitoral nos Estados Unidos.

Cada postagem de Trump vem, em média, acumulando mais de 630 mil engajamentos, dois terços disso de curtidas, o que revela um certo endosso ao que foi dito. Em seis das oito mensagens penalizadas, o sistema nem chegou a registrar interações. Nas demais, a média de engajamento caiu a menos da metade, com a parcela de curtidas oscilando 4 pontos percentuais para baixo. Mas a de comentários, recurso pelo qual o público consegue expressar melhor qualquer insatisfação, salta de 15% para 26% do total.

Desde aquela madrugada, Joe Biden publicou um número semelhante de mensagens. Os 22 tweets renderam um engajamento 20% menor que o de Trump, mas uma média de curtidas 11% maior. O que é impressionante, uma vez que o líder na corrida pela Casa Branca possui o equivalente a apenas 15% dos 88 milhões de seguidores para os quais o presidente americano fala. A proporção de comentários, inclusive, não chega a 3%, indicando uma discordância bem menor com o que é publicado.

Há um dado mais importante, contudo: o candidato democrata segue sem receber qualquer penalização do Twitter. O que não chega a ser difícil. Basta se comportar como um presidente dos Estados Unidos deveria se comportar.