Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Marcelo de Moraes

Eleições nas Redes: O lado mais divertido da campanha

Marlos Ápyus

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Já tem um tempo que a política se converteu de uma necessidade enfadonha para uma questionável forma de entretenimento. E as redes sociais, que estão sempre dispostas a rir até do que mereceria luto, possuem um papel fundamental nessa transformação. Na eleição de 2020, não foi diferente. E, para o bem ou para o mal, nenhum político foi poupado.

São Paulo

Em São Paulo, Bruno Covas ouviu reclamações por não ter feito menção aos conterrâneos do Charlie Brown Jr, e gracinhas por tecnicamente ter o mesmo sobrenome do vocalista da banda Misfits. O passado de Celso Russomanno como mediador de conflitos não foi esquecido, assim como o hábito de a própria intenção de votos derreter durante a corrida eleitoral. Os fãs de Márcio França chegaram a registrar o momento em que o candidato achava que iria ao segundo turno. E Jilmar Tatto assumiu sem medo que cumpria ordens de um padrinho que largaria a culpa toda na conta do afilhado.

Café com Boulos

Mas ninguém rendeu mais “memes” do que Guilherme Boulos. O candidato do PSOL cantou Chico Buarque, foi lançado como um potencial vice para Ciro Gomes, teve as filhas rebatizadas e, se vencesse, corria o risco de involuntariamente rebatizar a ponte aérea Rio-São Paulo.

Indústria automobilística

Acostuma a militar em fábricas, a esquerda explorou bem a indústria automobilística. E apostou fichas no “celtinha” de Boulos, no “fusquinha” de Luizianne Lins, e até no Erundinamóvel, projeto desenvolvido para proteger Luiza Erundina da covid-19.

Previdência

Claro, nem toda publicidade espontânea era positiva. Não houve perdão ao plano de Boulos para a Previdência. Nisso, sobrou até para Ciro Gomes.

Radicalismo

As candidaturas mais à esquerda ao menos encontraram uma boa solução para as acusações de que seriam radicais: radicalizaram na ironia.

Lute como uma menina

Manuela D’Ávilla, Benedita da Silva e Martha Rocha também buscaram combater preconceitos contra candidaturas femininas. E, com bastante bom humor, não tiveram medo de retratar a própria força.

Cordel

Em Recife, João Campos teve que aguentar deboche com o fato de não mais poder fazer companhia à namorada Tabata Amaral, que continuará deputada federal em Brasília. Marília Arraes, por sua vez, ganhou de presente um cordel declamado pela também deputada federal Natália Bonavides.

O homem disparou

Em Belém, enquanto os adversários se degladiavam, Edmilson Rodrigues disparava para conquistar a prefeitura pela terceira vez. Em Curitiba, Goura Nataraj até tentou formar uma onda parecida, e Marisa Lobo até tentou usar Jair Bolsonaro para tirar Rafael Greca da prefeitura, mas o prefeito conseguiu a reeleição ainda em primeiro turno.

Pastor Sargento

E, em Salvador, o Pastor Sargento Isidório foi filmado em uma situação muito difícil de se descrever. Mas o vídeo segue acessível a qualquer um.

É claro que nem tudo (ou quase nada) na política é divertido como os momentos resgatados mais acima. Mas ela não precisa ser tóxica como se observava nas disputas anteriores. Apesar do ano complicadíssimo, o brasileiro ainda não perdeu a capacidade de sorrir. E isso deveria ser motivo de orgulho para qualquer povo.

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