Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Marcelo de Moraes

Eleições nas Redes: O que mudou de 2016 para 2020

Marlos Ápyus

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Quando Michel Temer assumiu a Presidência da República em 31 de agosto de 2016, a propaganda eleitoral estava liberada havia apenas duas semanas. As fases da Lava Jato ainda ocupavam dias inteiros do noticiário. E o Facebook reinava como principal fonte de tráfego para basicamente qualquer site.

Foi nesse contexto que o “não sou político” que João Doria vivia a repetir garantiu uma impressionante conquista em primeiro turno que seria replicada de várias formas no país, fazendo do PSDB o grande vitorioso daquelas eleições municipais.

Pelo que se observa hoje nas redes sociais, é difícil acreditar que se passaram apenas quatro anos. O Facebook, por exemplo, seria reduzido a apenas uma das várias redes em que o debate público se desenvolve. Twitter, Instagram e YouTube possuem cada vez mais relevância. E há novidades promissoras no leque de opções dos marqueteiros, como TikTok e Twitch.

Os temas dos debates também viveram uma transformação. A insegurança pública, que tanto tirava o sono dos eleitores, mal foi lembrada. Com peso maior no que serviu de base para o pedido de impeachment de Dilma Rousseff, a austeridade só voltou como crítica à frágil proposta de Guilherme Boulos para a previdência. A Lava Jato, por sua vez, vem sendo uma mera figurante enaltecida por nomes como o de Joice Hasselmann, que recebeu menos de 2% dos votos dos paulistanos, e Bruno Covas — mas só após o prefeito receber no segundo turno o apoio de Joice.

Tão caro em 2016, o combate à corrupção só foi explorado com alguma relevância numa tentativa bolsonarista de subtrair votos de Eduardo Paes. Mas surtiu tão pouco efeito que o ex-prefeito do Rio de Janeiro caminha para uma vitória tranquila na etapa final.

Se Doria colhia frutos ao se vender como um “outsider”, Boulos vem tentando virar o jogo enaltecendo a experiência de Luiza Erundina, ex-prefeita que, se escolhida para vice, pode concluir uma nova passagem pela administração de São Paulo com até 94 anos de idade. Se a polarização dava o tom da campanha, um dos polos seria derrotado já em primeiro turno (e o outro não vem tendo vida fácil no segundo). Se a direita pautava as redes sociais, agora a esquerda possui o controle da agenda.

Como se percebe no mapa compartilhado pelo jornalista de dados Pedro Barciela, há ainda uma considerável mancha bolsonarista fazendo barulho no Twitter. Mas sem fazer frente ao principal adversário, ou mesmo sem interagir com perfis além da própria bolha virtual.

Mesmo voltada a cargos bem menores, a disputa de 2016 serviu de aperitivo do que aconteceria nas eleições gerais de 2018. Pelo que se observa em 2020, conclui-se que, na busca pela reeleição, Jair Bolsonaro há de pedir voto em uma realidade bem distinta da que fez dele presidente da República.

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