Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Marcelo de Moraes

Eleições nas Redes: Os bots do bem

Marlos Ápyus

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Quando Mark Zuckerberg, ainda em 2017, tentou combater com fact checkers a gigantesca quantidade de “fake news” que tomava o Facebook de assalto, a iniciativa não surtiu o efeito esperado em parte pelo volume sobre-humano de desinformação compartilhada na rede. Desde então, os engenheiros de software trabalham para que a inteligência artificial ofereça um auxílio relevante ao duro trabalho das agências de checagem de notícias. Se a situação segue longe da ideal, já é possível confirmar que importantes avanços foram feitos.

No Brasil, a Aos Fatos lançou ainda em agosto um necessário sistema de monitoramento em tempo real da desinformação que circula na web. O “Radar Aos Fatos” mapeia padrões de linguagem de forma a encontrar conteúdo potencialmente enganoso. Pioneira no país, a iniciativa foi vencedora do Google Innovation Challenge do ano passado.

Passados dois meses, há como mapear na ferramenta o volume e teor de publicações de baixa qualidade compartilhadas no WhatsApp, Youtube, Twitter e na própria web. Mas, por enquanto, a respeito de apenas dois temas: coronavírus e eleições municipais.

Em números absolutos, o sistema encontrou na última semana uma quantidade semelhante de conteúdo problemático para cada assunto, algo em torno de 13,4 mil publicações de baixa qualidade. A covid-19 chega a esse patamar a partir de um universo de 275 mil postagens, contra 327 mil no caso das eleições municipais. Em ambos, contudo, o sobrenome “bolsonaro” se destaca no centro dos termos mais recorrentes.

A iniciativa joga um pouco de luz sobre a falta de transparência do WhatsApp. Hoje, por exemplo, de 273 grupos monitorados, em torno de 17% compartilhavam um boato desmentido ainda em 2018 sobre um rombo bilionário no FIES.

A agência disponibiliza ainda a “Fátima”, uma robô que recebe sugestões de checagem (no WhatsApp), ensina a checar (no Messenger) e alerta de conteúdo problemático ao usuário que o compartilhou (no Twitter). Como se percebe, é um serviço ainda limitado, mas que já conseguiu dar os primeiros passos.

No futuro, a ideia é acompanhar também o que se passa no Instagram e Facebook, ou justo nas redes em que os principais candidatos desta campanha mais somam seguidores.

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